segunda-feira, 29 de junho de 2015

Na Iminência do Desastre: O Neoliberalismo e o Regresso ao Século XIX

Uma das mais terríveis facetas da Revolução Industrial foi a generalização do trabalho infantil nas fábricas. Não era incomum as crianças serem obrigadas a fazer turnos de 14 horas seguidas e os acidentes de trabalho muitas vezes eram fatais, ou resultavam em amputações.


"A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite." - Agostinho da Silva, «Espólio» (1906 - 1994)

Nos últimos dias tem sido mais do que visível que o "verniz" na Europa começou finalmente a estalar. Está-se a iniciar o princípio do fim da fantasia e o "sistema" literalmente espuma de raiva por ver pela primeira vez em décadas um País europeu a fazer-lhe finalmente frente.

Perante isto, chovem as acusações dos liberais, neoliberais e restantes "ais" com a choradeira do costume sobre o "conto de crianças" do Syriza e a incapacidade económica da esquerda radical.
 
Que não restem dúvidas, a esquerda radical não aprende nada com o passado e a fórmula que propõem é idiotice pura, mas o que a nova e "moderna" direita liberal propõe é lixo ideológico do século XIX. 

Os marxistas destroem inevitavelmente qualquer Nação onde metam a unha e oxalá que o Syriza não fique muito tempo no poder, caso contrário, será o fim da Grécia. A maior ameaça do Syriza e dos restantes marxistas contemporâneos não está nos danos que possam provocar ao tecido económico de um dado País, mas sim, nas engenharias sociais ou marxismo cultural que começam a implementar assim que chegam ao poder. Estas engenharias sociais visam corromper a Nação de dentro para fora e acabam por destruí-la se o mal marxista não for erradicado a tempo. 

Porém, a esquerda marxista não é a única a querer implantar engenharias sociais e radicalismos lunáticos. O neoliberalismo que hoje é a ideologia dominante nos partidos do "centrão", pretende igualmente impor as suas próprias engenharias sociais e o seu próprio radicalismo lunático. Já estamos neste momento a assistir a uma sinificação[1] da Europa, com particular intensidade nos Países sob a bota cardada da "austeridade". Se quem hoje nos desgoverna continuar no poder por mais tempo, não iremos tardar a regressar à miséria do século XIX. 

Ao escrever estas palavras, não consigo deixar de me lembrar de um dos livros que mais me marcou na minha juventude, devido precisamente à claridade com que o autor descreve este "paraíso liberal" que foi o século XIX. Refiro-me a Oliver Twist, o maravilhoso clássico de Charles Dickens que é sem sombra de dúvida um dos mais bem conseguidos retratos literários da miséria e das desigualdades sociais na Inglaterra do século XIX.

A Inglaterra do século XIX é por excelência o exemplo perfeito dos resultados do Liberalismo Clássico que os actuais neoliberais pretendem recuperar a todo o custo. Sim, é verdade que o Liberalismo e a Revolução Industrial trouxeram rápidos e inigualáveis avanços técnicos e científicos a toda a Humanidade, mas a que custo?

A esmagadora maioria dos que estão actualmente vivos, não têm a mínima noção da brutalidade das condições de trabalho enfrentadas pelo proletariado do século XIX e inícios do século XX. Aliás, não é mera coincidência o facto do Anarquismo, o Socialismo, o Marxismo e posteriormente o Fascismo (no caso da Europa Continental), terem nascido e crescido precisamente a partir desta miséria humilhante...

É e sempre foi o egoísmo ilimitado da burguesia que deu origem a todo este radicalismo ideológico. Esta burguesia parece que não se importa de viver numa opulência escandalosa enquanto é simultâneamente cercada de miséria e bairros de lata imundos. O problema para a burguesia é que esta, à semelhança dos marxistas, nunca aprende com o passado. 

A antiga aristocracia europeia do ancien régime não quis aprender nada com a Revolução Francesa de 1789, que foi uma consequência directa da miséria em que viviam os franceses, por este motivo, a aristocracia europeia quase que foi varrida do mapa e os poucos que sobreviveram foram os que souberam adaptar-se aos novos tempos e converter-se em burgueses. Por sua vez, a burguesia actual também parece que pouco ou nada aprendeu com a Revolução Bolchevique de 1917, fazia-lhes bem ler alguma literatura sobre essa revolução de forma a perceberem aquilo que eventualmente lhes pode acontecer a eles e à família deles se continuarem a insistir em políticas de miséria...

Houve um tempo e uma época em que todo o burguês quase que tremia só de ouvir falar em Comunismo. Este receio acentuou-se no pós-Segunda Guerra Mundial quando a burguesia percebeu que a miséria em fomento na Europa falida e em ruínas, não tardaria a levar a extrema-esquerda ao poder em países como a Alemanha e a França. A solução encontrada para o problema foi o desenvolvimento acentuado do Estado Providência, que foi sem sombra de dúvida a maior conquista alguma vez alcançada pelo proletariado.

Ora, este Estado Providência funcionou praticamente sem problemas até ao fim da Guerra Fria. Curiosamente, quando a União Soviética começou a entrar em crise interna e a ficar descredibilizada perante o Mundo, surgiu uma tal senhora que dava pelo nome de Margaret Thatcher e um senhor que dava pelo nome de Ronald Reagan. Estes "iluminados", percebendo que poderiam levar ao enfraquecimento e talvez até ao colapso da União Soviética se a cercassem economicamente como fizeram, perceberam também que a destruição do Mundo soviético poderia ser acompanhada pela destruição do Estado Providência, pois já não havia uma credível ameaça comunista.

É portanto fácil de ver e perceber que o fim do Comunismo foi acompanhado por um ataque propositado contra o Estado Providência. Para além deste ataque contra a maior conquista de sempre dos trabalhadores, os novos donos do poder, os tais boys and girls do "centrão" político, fizeram tudo o que puderam nos últimos vinte anos para desregulamentar e anarquizar ao máximo os tais "mercados" dos quais hoje tanto se fala. 

Só alguém que seja extremamente ingénuo é que não consegue perceber que passo a passo, temos estado nas últimas três décadas a caminhar na direcção de um regresso ao século XIX, ou seja, o fim do Estado Providência e a abolição de praticamente todas as conquistas sociais dos trabalhadores no último século. 

A "cassette" repetida pelos liberalóides do "centrão" político, para fazer passar o seu programa assassino é a de que "não há alternativa". Tudo mentira!

É óbvio que existe alternativa a este estado de coisas, simplesmente esta não convém aos donos do poder, pois implica uma necessária ruptura com as sinistras forças da alta finança ao serviço de Mammon.

Os liberalóides não gostam de falar do "paraíso liberal" que foi o século XIX, porém, nunca é demais refrescar-lhes a memória e relembrar ao povo a profunda miséria e escravatura que o aguarda se este nada fizer para combater esta gente.

Os liberalóides não gostam de falar do tempo em que metiam crianças de apenas cinco anos a trabalhar em minas de carvão, muitas das quais morriam de cancro do pulmão ou outras doenças relacionados com o trabalho antes de conseguirem chegar sequer aos 25 anos de idade.

Para a burguesia do século XIX, os pobres não passavam de sub-humanos e por isso mesmo estes raramente mostravam alguma preocupação para com as classes mais baixas. Os slums em torno de Londres, onde o proletariado vivia na maior imundice sem água canalizada ou esgotos, eram locais de verdadeira degradação humana. Não era incomum haver trinta pessoas a dormir num único quarto onde abundavam os parasitas de toda a espécie. As doenças e a subnutrição eram uma consequência natural deste modo de vida verdadeiramente horrível.

A miséria na década de 1830 era de tal ordem que  a esperança média de vida nos bairros operários era de apenas 29 anos. Um simples pedaço de pão ou de lenha no inverno, muitas vezes era o suficiente para marcar a diferença entre viver ou morrer de fome ou de frio.

Este modo de vida típico do proletariado do século XIX, marcou um claro retrocesso em relação a épocas anteriores. Antes da Revolução Industrial, a maioria das crianças trabalhava nos campos com os seus pais. A vida rural era dura e agreste, mas em nada se comparava com o horror cruel que esta gente veio a enfrentar nos bairros operários.[2] 

Tudo isto vai ao encontro do Darwinismo social que sempre foi uma das características das políticas do Liberalismo. Há uma crença nos meios liberais, hoje raramente admitida, mas por demais evidente, de que só é pobre quem não quer trabalhar. O objectivo disto é convencer-nos de que os pobres são todos malandros que não querem trabalhar e é por isso que são pobres. Os ricos são ricos porque trabalharam para ser ricos, ao passo que os pobres são pobres porque são malandros, ou seja, biologicamente inferiores. Julgo que isto rivaliza com as teses nazis de supremacia racial!

É esta, caros leitores, a génese das tais teses "modernas" da direita chique e croquete que hoje se pavoneia pelos melhores restaurantes da nossa Capital e frequenta os clubes mais elitistas enquanto planeiam a escravização do seu próprio povo. Como conseguem dormir à noite é coisa que não compreendo...

Precisamente por tudo o que acima foi dito, é que não percebo a actual rivalidade entre liberais e marxistas no campo da moral. Ambas as ideologias são responsáveis por escravatura e morte na ordem das centenas de milhões, isso mesmo, leram bem, centenas de milhões e o número continua a aumentar de dia para dia...

A batalha que se está hoje a travar em Portugal e na Europa contra o "sistema" é uma luta entre a escravatura e a Liberdade. É uma luta para que possamos preservar todas as conquistas sociais que foram arduamente conquistadas pelo proletariado nos últimos duzentos anos e que hoje uns reles ladrãozecos pimpões de fato e gravata nos querem roubar. Se isto não é uma causa pela qual valha a pena lutar, então não sei qual será.

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Notas:
[1] SOFOS - Sinificação. Link: http://sofos.wikidot.com/sinificacao
[2] VENNING, Annabel - Britain's child slaves: They started at 4am, lived off acorns and had nails put through their ears for shoddy work. Yet, says a new book, their misery helped forge Britain. 17 de Setembro de 2010. Link: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1312764/Britains-child-slaves-New-book-says-misery-helped-forge-Britain.html

João José Horta Nobre
Junho de 2015


quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Que Pretendem os Neoliberais?



"O plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo — corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política." - António de Oliveira Salazar, «Problemas da organização corporativa.» Conferência no S. P. N., em 13 de Janeiro de 1934, Discursos, Vol. 1, pp. 292-294

É comum ouvir falar-se nos dias de hoje de forma depreciativa sobre o neoliberalismo e os proponentes deste nem se devem de queixar de tal facto, pois os resultados obtidos por esta ideologia económica têm sido um verdadeiro desastre em todo e qualquer lugar onde foram aplicados.

Porém, o mais perigoso no neoliberalismo não é o facto de este ser um desastre do ponto de vista económico para a maioria da população, mas sim, o facto de ser um estrangeirismo importado, indiferente às características sócio-económicas das nações onde é implantado e por isso mesmo contrário ao interesse das mesmas. Quando ouço por aí na nossa praça pública economistas a defender o mantra neoliberal, ocorre-me apenas fazer-lhes uma pergunta e só uma pergunta: afinal os senhores são neoliberais ou são portugueses?

A batalha contra as ideologias importadas, sejam elas de esquerda ou de direita, é não apenas um dever moral, mas uma obrigação que incube a todo e qualquer patriota que se preze.

Por norma, estas ideologias infiltram-se na alma nacional de cada nação, da mesma forma que algumas células cancerosas se começam a desenvolver num órgão saudável. Posteriormente, a infiltração ideológica vai-se acentuando e tem sempre como alvos prioritários os meios académicos, as Forças Armadas e os meios ligados à política. A infiltração ideológica vai-se agudizando, tal como um cancro se espalha e vai destruíndo um órgão que de outra forma estaria perfeitamente saudável. Todos sabemos que se o cancro não for tratado atempadamente, o resultado inevitável será a morte do doente, da mesma forma que as infiltrações ideológicas que não são combatidas a tempo, acabam normalmente por resultar em graves desastres nacionais.

Temos um bom exemplo disto na tentativa fracassada de implantação do Liberalismo em Portugal durante o século XIX. O País acabou vítima da intoxicação ideológica sofrida pelas suas elites estrangeiradas em consequência das invasões francesas, que foram absolutamente devastadoras e nunca foram do nosso interesse, apesar da maçonaria (outro estrangeirismo importado...) hoje e já nessa altura mentir e afirmar o contrário.

A República foi outra invenção estrangeira que alguns "iluminados" nos impuseram. Nos últimos anos tem-se assistido nos meios académicos, políticos, sociais e culturais a um autêntico movimento de branqueamento da Primeira República, com inúmeras conferências e palestras a serem proferidas, mas com nenhuma a conseguir responder satisfatoriamente a uma pergunta: se a Primeira República foi tão boa como apregoam, porque é que esta apenas durou dezasseis anos e o seu derrube foi celebrado por praticamente todo o povo que estava farto de tanta balbúrdia?

Se o Liberalismo e a República foram um fracasso como já seria de esperar, pois não tinham nada a ver com a tradição política portuguesa ou com a nossa matriz nacional. As ideias marxistas que começaram a chegar à nossa costa em maior força a partir de 1917, acabaram por resultar no maior desastre nacional desde Álcacer-Quibir e com consequências que ainda hoje estamos e vamos continuar a pagar por inúmeras gerações.

O marxismo infectou a nossa elite de tal forma, que hoje é impossível compreender o Portugal contemporâneo sem compreender simultâneamente o modo de pensar e fazer política associado às forças marxistas.

Mas há uma outra ideologia, uma ideologia sui generis, que começou a ganhar terreno na nossa Pátria na década de 1980 e que desde então não deixou de se alastrar, tendo neste momento já infectado uma parte considerável das elites académicas que não se revêem no marxismo e uma parte substancial da classe política. Esta ideologia chama-se neoliberalismo e é basicamente uma antítese do marxismo.

Antes de avançar mais, vale a pena perguntar também se no meio de tantos marxismos, repúblicas, constitucionalismos, socialismos, neoliberalismos, anarquismos, nazismos e demais demências ideológicas, haverá tempo para a elite pensar em Portugal?

Aparentemente, parece que não...

À ânsia estatizante do marxismo, a seita neoliberal contrapropõe uma ânsia privatizadora que na minha opinião é tão ameaçadora para a Nação quanto a ameaça representada pelo marxismo.

Os portugueses devem de colocar mais uma questão que poucos têm a coragem de fazer: a quem servem todas estas ideologias apátridas? 

Ou de outra forma: quem beneficia com todos estes estrangeirismos ideológicos que por aí pululam intoxicando o melhor sangue da Nação?

É mais do que óbvio que as forças que mais têm a ganhar com tudo isto são as forças do alto capital. O alto capital, precisamente por ser apátrida e por isso mesmo contrário às nações, é a sinistra entidade que beneficia sempre com toda esta loucura ideológica.

Repare-se que as ideologias são instrumentos perfeitos para dividirem as nações em facções. Colocar estas facções em conflito perpétuo é a melhor forma de garantir a ingovernabilidade e consequente falência das nações. Para o alto capital, a situação será ainda melhor se estas facções entrarem em guerra civil. Como a guerra e a reconstrução no pós-guerra são negócios extremamente lucrativos, não há nada melhor para o alto capital do que colocar nações em guerra, seja esta contra si própria ou contra outra Nação ou conjunto de nações.

O que pretendem então os neoliberais?

A mim parece-me que o neoliberalismo está activamente a trabalhar para construir um outro modelo de Estado muito diferente daquele que conhecemos até agora. O neoliberalismo não intenta destruir o Estado por completo, quer é reduzi-lo de forma a que este tenha o menor encargo possível para o alto capital financeiro, mas este mesmo alto capital precisa do Estado para o proteger de eventuais tentativas de desafio à sua hegemonia, da mesma forma que os cidadãos precisam da polícia para os proteger do crime organizado na medida do possível.

Foi, aliás, a própria intervenção do Estado na economia que deu historicamente origem aos tais "mercados" do qual hoje tanto se fala. Aliás, sem a preciosa protecção conferida pelo Estado aos tais "mercados", estes já há muito que teriam sido destruídos. A ideia difundida por alguns economistas de que os "mercados" surgiram espontâneamente logo na Idade da Pedra, após os homens começarem a efectuar trocas entre si, é um absurdo!

A título de exemplo, o Império Romano, à semelhança de outros impérios da época clássica, possuía uma ampla rede económica dedicada ao comércio, agricultura, pescas e trabalhos de oficina. Alguém alguma vez ouviu falar do Império Romano a entrar em crise porque os "mercados" exigiam isto ou aquilo!?

O Império Romano entrou em crise sim, mas foi devido a conflitos étnicos internos, invasões bárbaras e muita corrupção. Jamais se poderia conceber que uns tais "mercados" pudessem mandar um Império abaixo. Da mesma forma que hoje é inaceitável que os "mercados" possam ditar a política das nações como se estas fossem meras servas do mesmo.

Os "mercados" hoje existem e comportam-se como se comportam porque fazem parte de um determinado "sistema" que goza da protecção do Estado e sem a protecção deste, a sua sobrevivência não seria possível. As elites políticas movidas por ganância, cegueira, medo, chantagem e maldade, entretanto vão garantindo que este estado de coisas não muda.

A concentração do capital nas mãos de uma pequena minoria tem acentuado brutalmente este problema. Ora, como todos sabemos, dinheiro é sinónimo de poder e se a maioria do nosso dinheiro está concentrado nas mãos de uma pequena minoria, isto significa que essa pequena minoria tem um poder avassalador. A situação agrava-se se tivermos em conta que este poder avassalador na esmagadora maioria das vezes não é minimamente compatível com os interesses nacionais, antes pelo contrário...

É impossível não dar razão a Marx quando este defende o confisco e a nacionalização das grandes fortunas. As grandes fortunas perpetuam o problema da injusta distribuição do capital ao fomentarem a contínua manutenção da riqueza nas mãos de uns poucos em detrimento de uma larga maioria.

O neoliberalismo fomenta a desigualdade económica ao promover políticas de baixos salários que não são mais do que uma estratégia para concentrar o máxima de capital nas mãos de uma pequena minoria, ou seja, nas grandes fortunas.

De facto, não antevejo outra forma de efectivamente conseguir combater este problema a não ser o confisco das grandes fortunas. Como dinheiro é poder, é necessário retirar as grandes concentrações de capital das mãos da minoria, de forma a retirar a esta todo o poder que a mesma usa para controlar a política e a sociedade.

Como podem ver, o combate contra as grandes fortunas não é apenas um "delírio" marxista, ou de esquerda. Trata-se de algo essencial para a restauração da Nação e este deve ser uma prioridade na agenda de todo e qualquer patriota.

O que se passa hoje é que não é apenas a "democracia" que é controlada e está ao serviço das tais grandes fortunas. As próprias instituições e empresas nacionais estão a ser gradualmente "comidas" por este monstro privatizador que é uma consequência directa da disseminação da ideologia neoliberal na nossa Pátria.

O objectivo final de tudo isto é, como já se disse, a colocação do Estado ao serviço do alto capital financeiro, passando o Estado a gerir a Nação tendo em conta não os interesses desta, mas os interesses de uma pequena minoria de apátridas e estrangeirados.

A atomização da sociedade acaba por ser uma consequência directa de tudo isto e esta é simultâneamente favorável aos objectivos dos neoliberais.

O fim último de tudo isto é claramente a destruição das nações e a sua subjugação a um governo mundial que já está em preparação.

Com uma sociedade atomizada, o Estado reduzido a cacos e dirigido por traidores, a família nuclear destruída e um povo a viver na miséria, haverá Nação que resista a tamanha afronta?

Ao contrário dos marxistas que admitem abertamente ter um projecto internacionalista, a larga maioria dos neoliberais negam que tenham semelhante projecto, mas o facto é que tudo o que fazem aponta nesse sentido.

A única solução para toda esta barafunda é colocarmos aos comandos do nosso País, pessoas que realmente se comportem como sendo portuguesas e que não estejam contaminadas pela loucura dos "ismos". Tal política exige uma imediata saída do euro, da União Europeia e da NATO e a consequente redefinição de uma estratégia nacional a longo prazo. O problema maior está em que tudo isto é praticamente impossível de se fazer na assim-chamada "democracia" e a "armadilha" em que estamos metidos foi concebida precisamente para esse fim, para impedir qualquer mudança radical ou desafio ao status quo da Nova Ordem Mundial, pensem nisto...

João José Horta Nobre
Junho de 2015




quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Que Faria Estaline Se Fosse Grego?



"A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana." - Fernando Pessoa (1888 - 1935)


Há que não esmorecer camaradas! O futuro é nosso e se o camarada Arnaldo Matos conseguiu, vocês também conseguem! 

Em momentos assim, há que recorrer às teorias avançadas da esquerda, nomeadamente aos ensinamentos do nosso irmão e camarada-comandante Zé Estaline. Estes, na boa tradição comunista, não apenas ensinam a construir o Socialismo como via de transição para o Comunismo, como também ensinam o "tratamento" adequado a dar a estes cães reaccionários e inimigos do povo da laia de Alexis Tsipras.

O reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras, deve ser imediatamente preso assim que aterrar em Atenas e de seguida levado para uma câmara de tortura onde será sujeito a espancamentos, queimaduras com ferros em brasa, esmagamento de ossos e testículos à martelada, choques eléctricos e arrancamento de unhas até o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras, concordar em assinar uma confissão de que traiu o proletariado grego e vendeu a honra deste à burguesia imperialista.

Na confissão deve constar também que o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras, aquando da sua estadia em Bruxelas, manteve relações sexuais num motel burguês com Angela Merkel e praticou o acto da sodomia com Christine Lagarde, sendo isto uma prova definitiva da decadência da sociedade burguesa ocidental e da imoralidade na qual o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras caiu.

Após a assinatura da confissão, o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras, deverá ser presente a um Tribunal Revolucionário, que seguindo a vontade do povo eternamente inspirado pelo Grande Lenine, se encarregará de condenar o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras à morte por fuzilamento.
 
Depois de condenado à morte, o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras deverá ser novamente conduzido a uma câmara de tortura onde será novamente sujeito a espancamentos, queimaduras com ferros em brasa, esmagamento de ossos e testículos à martelada, choques eléctricos e arrancamento de unhas (se ainda sobrarem unhas para arrancar...).

Apenas quando o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras estiver no limite das suas capacidades físicas é que este deverá ser conduzido perante o pelotão de fuzilamento. O corpo deverá ser destruído ou enterrado de forma a que nunca mais ninguém saiba sequer que o reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras existiu. A sua imagem deverá também ser apagada de todas as fotografias oficiais.

Concluída assim a eliminação física do reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras, deve fazer-se um levantamento da família do mesmo até à terceira geração e todos os membros da mesma, crianças incluído, devem de ser sujeitos a deportação para um campo de trabalhos forçados de onde nunca mais regressarão ou torturados e executados à semelhança do reaccionário e inimigo do povo Alexis Tsipras. 

Apenas após todos estes burgueses reaccionários terem sido exterminados é que poderemos iniciar a construção do Socialismo num só País, como etapa de transição para o Comunismo. Um terço do povo grego deve ser deportado para campos de trabalho forçado, de forma a que se possa rapidamente dinamizar o crescimento económico. Outro terço deve ser agrupado em quintas colectivas e o outro terço será incorporado nas Forças Armadas. 

Todas as fronteiras terrestres e marítimas devem de ser minadas e a Grécia deve iniciar imediatamente o seu próprio programa nuclear, de forma a que possa ter a bomba atómica até 2020, com sorte 2019 se não morrerem mais de um milhão de gregos à fome até lá.

Longa vida, muito longa vida ao camarada Estaline!

Viva o estalinismo, o marxismo-leninismo da nossa época!

Viva o marxismo-leninismo-estalinismo!

Vivam Marx, Engels, Lenine, Estaline e Arnaldo Matos!

Viva a ditadura do proletariado!

Viva a linha vermelha do nosso Movimento!

Viva o internacionalismo proletário!

Viva o Syriza!




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Nota: O texto acima é uma óbvia ironia sobre a actual situação grega e não é minha intenção de forma alguma estar aqui a troçar do povo grego, mas sim, acentuar que apesar de aqui ser a brincar, as tácticas de terror acima descritas já foram utilizadas em massa tanto por regimes de extrema-esquerda, como por regimes de extrema-direita. 

Que ninguém julgue que a história não anda para trás. Se os actuais "iluminados" que governam a Europa continuarem a insistir em colocar "mercados" à frente de pessoas e bancos à frente de nações, não será preciso esperar muito tempo até termos algum ou alguns novos Estalines e Hitleres novamente a governar a Europa, algo que, de qualquer forma, já me parece neste momento praticamente inevitável dadas as circunstâncias trágicas em que nos encontramos. Será portanto e possivelmente apenas uma questão de tempo...

João José Horta Nobre
Junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

Por Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados

"O Rapto de Europa", Adolf Münzer

  
"Amai a união e fugi das discórdias." - Santo Inácio de Antioquia

A grave e precária situação social, económica e geopolítica em que as nações europeias actualmente se encontram tem levado a uma crescente polarização que sinceramente me preocupa, por esta não ser propícia nem aos interesses, nem à estabilidade das nações europeias.

A actual Europa está dividida entre facções políticas que se encontram alinhadas ou com o eixo Washington/Bruxelas ou com o eixo de Moscovo que apesar de ser muito mais fraco e menos influente, não deixa de ser perigoso. 

Que fique claro de uma vez por todas, nem o eixo Washington/Bruxelas ou o eixo de Moscovo zelam minimamente pelos interesses da Europa ou nos querem ajudar seja de que forma for. Ambos possuem agendas ocultas e intentam alargar a sua influência e poder à custa das nações da Europa.

Deve por este mesmo motivo ser criado não apenas como alternativa à União Europeia, mas como movimento de resistência aos eixos referidos, um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados que sirva de frente comum a estes eixos anti-europa e que simultâneamente ofereça uma alternativa às pequenas nações europeias, que se vêem actualmente acossadas por imperialismos titânicos que em nada servem os nossos interesses comuns.

A Europa está hoje a ser balcanizada por colossos sem princípios sejam eles morais ou éticos. Não é possível que nações como Portugal possam sozinhas fazer frente a estes gigantes, é precisamente por este motivo que é absolutamente imperativo que se construa uma unidade europeia alternativa à actual União Europeia que não passa de uma entidade controlada por forças obscuras cujo comportamento é igual ao de qualquer organização mafiosa.

Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados é por isso um imperativo no actual momento e que ninguém tenha dúvidas em relação ao quão importante é hoje a criação de um movimento deste teor como condição de sobrevivência não só das nações europeias, mas também da própria Civilização Ocidental que se encontra actualmente ameaçada pelo Hedonismo, sendo este por sua vez uma consequência directa de toda a irresponsabilidade política a que assistimos nas últimas décadas.

Não podemos negar que existem diferenças de mentalidade, barreiras linguísticas, diferenças entre concepções de vida e desenvolvimento que afastam pontualmente as nações europeias umas das outras, mas também é verdade que aquilo que nos une e aproxima é muito mais significativo do que aquilo que nos separa.

A Europa foi e será sempre o berço do Mundo Ocidental, trata-se de um facto que nenhuma força do Universo nos pode retirar. Durante séculos, foi na Europa que se centrou aquilo que de melhor o Mundo Ocidental tinha para mostrar e exibir. Mesmo após séculos de violentas disputas dinástico-familiares e posteriormente sangrentas guerras que resultaram de um Nacionalismo chauvinista, o sentimento de solidariedade e irmandade europeia manteve-se e até se fortificou. Os campos ensanguentados da Europa onde milhões dos nossos melhores perderam a vida em guerras fratricídas, devem de servir de exemplo e aviso às futuras gerações sobre os perigos de se seguirem políticas chauvinistas e de ter uma Europa polarizada por eixos sejam eles intra ou extra-europeus.

A Segunda Guerra Mundial ou a Segunda Guerra Civil Europeia como na realidade lhe deviam de chamar, foi muito provávelmente a maior catástrofe geopolítica que a Europa enfrentou desde a queda do Império Romano. Desta nefasta guerra saíram triunfantes duas super-potências que não tardaram a aproveitar-se da fraqueza das nações europeias exaustas pela guerra para levaram a cabo os seus próprios projectos imperialistas.

Os Estados Unidos, receosos do alastramento da influência soviética à Europa Ocidental, rapidamente perceberam que a melhor forma de travar o Comunismo era fomentando uma classe média forte e próspera. Foi precisamente aqui que entrou o Plano Marshall e a conjuntura de reconstrução da Europa tratou de garantir a tão necessária prosperidade económica para que os Estados Unidos não perdessem o controlo da situação na Europa Ocidental.

Os soviéticos, por sua vez, não desistiram de insistir no falido modelo económico socialista que tentaram a todo o custo e muitas vezes pela força, exportar para todo o Mundo. O resultado foi a escravização da Europa de Leste em nome de uma ideologia sem futuro e a destruição de milhões de vidas inocentes. 

A somar-se a isto tudo, tanto os Estados Unidos como a União Soviética fomentaram e apoiaram no pós-guerra os assim-chamados "movimentos de libertação" que na realidade nunca passaram de vassalos destas super-potências e que vieram criar muitos mais problemas do que aqueles que vieram resolver. Veja-se África hoje, dominada pela pobreza crónica, doenças, fome, guerra e cleptocracias. É esta a "libertação" de que gozam os povos africanos?

Os povos africanos saíram do domínio europeu sem estarem minimamente preparados para tal e todas as descolonizações sem excepção que se fizeram em África foram feitas de forma demasiado rápida, não se tendo tido o cuidado de garantir o funcionamento adequado das instituições nacionais e não se tendo em conta que muitas destas "nações", são na realidade nações artificiais, desenhadas a régua e esquadro pelos europeus, sendo por isso mesmo propícias a conflitos étnicos sem fim à vista.

O Mundo no qual vivemos hoje é um Mundo pós-europeu, mas isto não significa de forma alguma que tal seja o fim da Europa ou sequer das nações europeias. Mais do que nunca é hoje imperativo que estas se unam, pois está em causa a nossa própria sobrevivência como Civilização e forma de viver.

O actual momento é extremamente grave e ameaçador para todas as nações da Europa e resta pouco, muito pouco tempo para se conseguir inverter a situação de iminente colapso civilizacional para onde actualmente caminhamos a passos largos.

Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados surge hoje como uma necessidade imperativa e este deve assentar em três polos:

  • Economia;
  • Defesa;
  • Política

As nações europeias são hoje vítimas de um verdadeiro vampirismo draconiano movido pelos mercados internacionais e estão a sofrer dos males inevitáveis acarretados pelo prosseguimento de políticas económicas assentes no anárquico
laissez faire, laissez aller, laissez passer

Quem beneficia com este estado de coisas é sempre e inevitavelmente a alta finança cujo centro nevrálgico se concentra em Wall Street. Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados deve não só incentivar a um corte radical com estas entidades sinistras, como deve também fomentar a solidariedade entre as nações europeias de forma a que estas não fiquem abandonadas e sozinhas, à mercê destes autênticos parasitas de nações que são os assim-chamados "mercados".

A Federação Russa constitui uma ameaça infinitamente menor neste campo, mas mesmo assim é uma ameaça, especialmente para as nações do Leste da Europa a quem já lhes bastou vários séculos de ditadura tirânica, primeiro sob a bota dos czares e posteriormente dos bolcheviques. A Federação Russa, à semelhança dos Estados Unidos, julga que a Europa de Leste é propriedade sua e reage violentamente a qualquer interferência externa neste espaço geográfico. Esta situação é não apenas inadmissível, como insustentável.

A Europa de Leste não pertence à Rússia, nem aos Estados Unidos. Da mesma forma que a Europa Ocidental não pertence a nenhuma destas super-potências, mas sim aos povos que coabitam nestes territórios. 

Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados deve ter uma política de defesa comum contra as ingerências e ameaças destas super-potências e deve ficar claro que tal deve ser sempre e apenas de carácter defensivo e não de carácter ofensivo. Ninguém no seu perfeito juízo pode desejar uma guerra seja contra os Estados Unidos ou contra a Rússia, mas deve também ficar claro que se estas super-potências nos agredirem, nós temos não apenas a capacidade adequada para nos defendermos, como para retaliar na medida em que julgarmos necessário.

As nações europeias devem de possuir uma capacidade de dissuasão militar forte o suficiente para garantir que nem a Rússia ou os Estados Unidos se irão aventurar em hipotéticas "intervenções" e no caso de o fazerem, pagarão um preço elevado por tal atrevimento. Tal só é possível no contexto de um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados que tenha uma componente dedicada à segurança e defesa comum. Nenhum País europeu pode enfrentar estas super-potências sozinho e tentar fazer tal irá resultar em inevitável desastre...

É precisamente aqui que um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados assume também o carácter de ser uma clara alternativa à NATO e tal como a NATO, este a ser constituído deve considerar o ataque contra uma Nação, como sendo um ataque contra todas. 

Em termos políticos e tendo em conta que tudo o que acima se disse já constitui política, um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados não deve ser um organismo equiparável à União Europeia, pois se tal ocorrese, o seu propósito inicial seria inevitávelmente deturpado para o negativo. Um Movimento assim, a ser construído, deve servir precisamente para garantir a independência das nações europeias e o fortalecimento do seu carácter, da sua moral e da sua integridade nacional. Não se trata de querer ostracizar a Rússia ou os Estados Unidos, antes pelo contrário, deve-se procurar ter boas relações com estes países, mas sempre deixando claro que na nossa casa mandamos nós e não o Kremlin ou Washington.

Antes de terminar quero deixar uma última palavra sobre a "questão alemã" e a "questão russa". A Alemanha é hoje a mais poderosa e importante Nação europeia, esta tem por isso um inegável papel de liderança na Europa e deve assumi-lo, mas sempre respeitando a soberania das restantes nações e nunca esquecendo, por experiência própria, que a liderança incapaz pode conduzir a desastres como o que esta já vivenciou em 1945.

Quanto à Rússia, esta em larga medida também é uma Nação europeia, apesar de muitos a excluírem automaticamente da Europa, algo errado a meu ver. A Rússia deve ser convidada a integrar um hipotético Movimento Europeu dos Países Não Alinhados e este, no caso de a mesma aceitar o convite, teria obviamente de mudar de nome. Um Movimento Europeu dos Países Não Alinhados, a ser erguido, não deve ser um fim em si mesmo, mas apenas uma organização que ajude a garantir a segurança da Europa e a sua capacidade de auto-defesa.

João José Horta Nobre
Junho de 2015


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