terça-feira, 17 de março de 2015

Uma Grande Caridade...

Papel solto de difusão distribuído nas igrejas, presumivelmente em Lisboa, algures entre 1945 e 1949.

 
"Arrogância: tendência para dominar os outros para além dos próprios e legítimos direitos e méritos." - Sua Santidade o Papa João Paulo II (1920 - 2005)

A imagem acima e tal como está descrito na legenda respectiva, é de um papel solto de difusão distribuído nas igrejas no imediato pós-Segunda Guerra Mundial.[1] Portugal, uma Nação à época pobre, sub-desenvolvida e sub-industrializada, prontificou-se a prestar auxílio ao povo alemão que estalava então de fome e doença graças ao Apocalipse que a má liderança do regime nacional-socialista fez cair sobre a Alemanha. Não esquecer que foi este mesmo regime que em conluio com a Espanha do Generalíssimo Franco, planeou a invasão e anexação de Portugal a favor da Espanha. Apenas nos safámos do horror que preparavam contra nós porque Hitler decidiu dar prioridade à conquista da União Soviética, adiando para mais tarde a anexação de Portugal.

Depois de terem cometido as mais selvagens sevícias e saqueado praticamente toda a Europa, o povo alemão ainda beneficiou de uma caridade que lhe permitiu erguer-se e superar a miséria em que se encontrava. Para tal contribuiu em parte o povo português, que apesar de ter prestado uma ajuda muito modesta, não deixa de ser simbólica tendo em conta que à época éramos um País onde de Norte a Sul, facilmente se podia encontrar gente esfomeada, analfabeta e descalça. 

Tirámos da nossa própria barriga para dar ao povo alemão e este hoje retribui sendo a ponta de lança da ditadura económico-financeira que lentamente se tem vindo a cozinhar desde o fim da Guerra Fria pelos assim-chamados neocons e outras luminárias da direita neoliberal.

Não quero que o povo Alemão nos dê dinheiro, apenas peço é que deixem de ser os servos de algumas famílias ultra-ricas que a partir de Wall Street puxam os cordelinhos do Capitalismo mundial e transformaram o Liberalismo Económico numa antítese de si próprio. É uma vergonha o ponto baixo a que chegámos na Europa e no Ocidente em geral, uma verdadeira vergonha...

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Notas:
[1] PEREIRA, Ana Marques - No comments. Garfadas on line, 15 de Março de 2015, Link:  http://garfadasonline.blogspot.pt/2015/03/no-comments.html

João José Horta Nobre
Março de 2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Os "Fascistas" Ucranianos



"Quem semeia a injustiça colherá a desgraça." - Bíblia Sagrada, Provérbios 22,8

Desde o início da actual agressão russa contra o Estado da Ucrânia, que tenho ouvido e lido as maiores mentiras e barbaridades sobre os nacionalistas ucranianos. Praticamente abandonados pelo Mundo, munidos quase exclusivamente de armas obsoletas e traídos por um largo segmento dos restantes nacionalistas espalhados pela Europa, que em troca de um punhado de rublos não se importam de vender a sua honra ao escroque do KGB que está hoje sentado no Kremlin, os patriotas ucranianos têm resistido às investidas selvagens do "urso russo" com uma coragem e tenacidade que deveria de servir de exemplo para o resto da Europa.

Antes de ir mais longe e antes que comecem a acusar-me de ser um hipócrita que está ao serviço da CIA, do imperialismo americano, da NATO, da União Europeia, da Merkel e mais não sei o quê, quero desde já esclarecer que condenei aberta e explicitamente desde o início o envolvimento tanto dos Estados Unidos, como da União Europeia, no actual conflito na Ucrânia. Quem duvidar da minha palavra só precisa de consultar o artigo intitulado Euromaidan: Quais as Possíveis Consequências Para Portugal? que foi até publicado no Diário de Notícias em Abril de 2014 e onde eu descrevi então a União Europeia como sendo uma "armadilha", afirmação esta que mantenho e sublinho!

Também nada me move contra a Rússia ou o povo russo, Nação essa que por sinal muito admiro e com a qual espero que possamos futuramente ter boas e frutíferas relações, mas não posso ficar calado perante injustiças e agressões injustificadas como as que estou hoje a ver serem cometidas na Europa.

A demonização dos nacionalistas ucranianos pela propaganda russa e pelos seus vassalos de extrema-esquerda e extrema-direita, já é uma estratégia antiga, tão antiga quanto a própria Revolução Bolchevique que mais não foi do que uma forma de Czarismo extremo metamorfoseado através da delirante fórmula marxista.

Em 1918, após terem cercado Kiev e derrubado o governo legitimo da Ucrânia, os bolcheviques criaram um governo fantoche para administrar o território que daí em diante passou a ser teoricamente governado pelo assim-chamado "proletariado". Nesta altura, os nacionalistas ucranianos eram apelidados apenas de "reaccionários" (o Fascismo estava então ainda a fermentar nas ruínas e injustiças da Primeira Guerra Mundial...) e a propaganda bolchevique não se poupou a meios para os denegrir e difamar.

A partir de 1930 e com as grandes purgas de Estaline, foi liquidada praticamente toda a elite ucraniana que vivia dentro da União Soviética. A justificação para isto foi um alegado "desvio" nacionalista que Estaline utilizou como pretexto para o horror que se seguiu.

Apenas entre 1932 e 1933 terão sido deliberadamente assassinados por Estaline entre 2.4 a 7.5 milhões de ucranianos, num genocídio que ficou conhecido como o Holodomor e que Portugal, tanto quanto sei, ainda não foi capaz de o reconhecer oficialmente como tal. Suspeito de que existe uma mão dos tais "amigos do povo", aglomerados no furúnculo que dá pelo nome de Partido Comunista Português (PCP), por detrás desta incapacidade de reconhecimento de um dos mais terríveis actos de genocídio de que há registo...

O desespero do povo ucraniano nesta fase que terá sido talvez a mais trágica e negra da sua história, foi o factor que levou a que uma parte substancial do mesmo tenha acolhido os nazis como "libertadores", aquando do inicio da invasão da União Soviética em 1941. Brutalmente massacrados por Estaline e perseguidos com a frieza "científica" de que apenas as ideologias positivistas como o Marxismo são capazes, não é minimamente de admirar que tantos ucranianos tenham acolhido acaloradamente os invasores nazis.

Ora, foi precisamente a partir daqui que a propaganda soviética começou a chamar "fascistas" aos nacionalistas ucranianos. Hoje, a Rússia de Putin e a sua gigantesca máquina de propaganda utilizam exactamente este argumento para continuar a demonizar os nacionalistas ucranianos. Não deixa de ser interessante e paradoxal notar como um dos principais conselheiros de Putin é Aleksandre Dugin, esse sim, um verdadeiro facínora nazi que recentemente até apelou a um novo genocídio do povo ucraniano.

É a esta escumalha criminosa que a esquerda europeia em peso e alguns nacionalistas sem honra prestam vassalagem e defendem com unhas e dentes nos meios de comunicação social. Pois bem, se o preço que eu tenho de pagar por condenar a actual agressão russa contra o povo ucraniano é o das "cassetes" do costume me rotularem de "fascista", então nesse caso só tenho a dizer que sim, sou "fascista" e com muito orgulho!

João José Horta Nobre
Março de 2015


Uma ucraniana "fascista" e o seu bebé "fascista" choram enquanto os rockets "humanitários" de Putin caiem a poucos metros da sua casa. Deste ataque dos terroristas russos terão resultado sete mortos e 21 feridos.
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