quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Algumas Considerações Sobre a "Ineficiência" Latina e a "Eficiência" Alemã



"[Os alemães] continuam sendo os bárbaros de Tácito e da Reforma, em luta perpétua contra Roma. Não confio neles." - Benito Mussolini (1880 - 1945)

Nos dias Merkulianos que colectivamente estamos a ser forçados a atravessar, já se transformou numa espécie de prato do dia ouvir falar da tal "eficiência" alemã. Para ser sincero e antes de ir mais longe, só comecei a ouvir falar desta famosa "eficiência" quando regressei a Portugal dos Estados Unidos em 1998. 

Para quem, tal como eu, tiver passado a sua infância nos Estados Unidos, sabe que os americanos nunca falam da Alemanha como sendo "eficiente" ou "superior", seja naquilo que for. Durante toda a minha infância luso-americana, a Alemanha era apenas o País das salsichas e cerveja que falava uma língua esquisita e que ficava algures na Europa. Em termos gerais, esta é a imagem que as criancinhas americanas têm dos alemães e da Alemanha.

Regressado a Portugal em 1998 num voo da Swissair, não tardou para que eu me deparasse com o grave complexo de inferioridade que os portugueses e os latinos em geral têm em relação aos alemães. Para a esmagadora maioria da elite tuga, tudo o que seja alemão é sinónimo de "eficiência", "superioridade", "organização" e "qualidade". Verdade seja dita que da actual "elite" portuguesa oriunda das jotinhas e lojinhas maçónicas também não se pode esperar muito mais...

Cada um poderá com certeza ter o seu ponto de vista sobre esta questão, mas para mim a Alemanha será sempre e eternamente o País das salsichas e da cerveja. Não sofro do complexo de inferioridade latino em relação aos germânicos e nórdicos porque eu próprio tive uma educação anglo-saxónica desde tenra idade e isso impede-me automaticamente de alguma vez conseguir pensar e agir como um latino. Pode-se dizer que felizmente fiquei "imunizado" dessa maldição. Aliás, aprendi a ler e a escrever inglês ainda antes de aprender a ler e a escrever português, algo que fala por si...

Dos Estados Unidos trouxe comigo uma "pancada" que para quem me conhece sabe que se revela no meu forte Patriotismo, princípio este que sempre me acompanhou, pois aprendi com o povo americano que o nosso País, precisamente por ser o único que temos, é para defender até ao último sopro de vida se necessário e não para escarrar em cima como vejo muitos portugueses a fazer no seu dia a dia.

Os latinos não são inferiores, nem ineficientes ou desorganizados. Simplesmente sofrem é de má governação e deixaram-se cair na armadilha da "tarântula democrática", como bem lhe chamou Auguste Émile Faguet, armadilha esta que já lhes andam a impingir sob diversas formas desde o século XIX e cujo resultado é sempre o mesmo. No caso português, passámos praticamente todo o século XIX a tentar colocar em prática um modelo monárquico-liberal que verdadeiramente nunca funcionou e que reduziu o País a uma colónia dos interesses anglo-franceses. Este desastre acabou num desastre ainda maior que deu pelo nome de Primeira República e que em apenas dezasseis anos teve o mérito de deixar literalmente o País na sarjeta.

O professor Salazar conseguiu restaurar temporariamente o orgulho e o progresso a um País já praticamente ferido de morte. A muito custo, conseguiu libertar-nos do colonialismo económico inglês e do colonialismo cultural francês que já havia infectado a nossa elite desde finais do século XVIII. Infelizmente, Salazar não conseguiu foi criar um regime que sobrevivesse à sua morte. A "coisa" acabou como todos sabemos. 

Numa noite em Abril de 1974 deu-se um golpe que teve certamente mão estrangeira por detrás e não tardou para que Portugal voltasse a ser colonizado por interesses estrangeiros. Somos hoje basicamente um protectorado da União Europeia e uma parte substancial da nossa soberania esvaiu-se sem que os portugueses dessem por tal. Somos hoje aquilo que realmente se pode considerar um País "ineficiente" a todos os níveis. Acompanham-nos nesta maldição a Espanha, a Itália e a França, países também eles latinos e "ineficientes".

Não será a hora de perceberem de uma vez por todas que a causa de toda esta "ineficiência" é o próprio sistema político? 

A dita "democracia" tal como a hoje temos em Portugal é uma charada que serve apenas o grande capital e um número indefinido de xico-espertos e caciques que vivem à custa da mesma. Não se vislumbra no horizonte qualquer hipótese desta "ineficiente" situação mudar enquanto se continuar a insistir na mesma fórmula que com algumas alterações e actualizações, continua a ser a mesma da monarquia liberal.

São necessárias mudanças radicais não só em Portugal, mas em toda a Europa latina. As consequências de não se fazer nada já se fazem sentir sob a forma de "austeridade" sem limites e crise económica sem fim à vista. Até aqui os povos latinos têm sido de uma ineficiência total, pois sofrem dos mesmos males económico-financeiros, mas mesmo assim não conseguem erguer uma estratégia concertada ou uma frente comum para fazer face à "eficiência" alemã.

É bom que ganhem juízo e de preferência rapidamente, caso contrário, serão as gerações futuras a pagar o preço de toda esta irresponsabilidade e verdadeira cobardia...

João José Horta Nobre
Fevereiro de 2015


Uma versão ligeiramente alterada deste artigo foi publicada no "Diário de Notícias" a 16 de Abril de 2015. 

Link: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/jornalismocidadao.aspx?content_id=4503975&page=-1





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