quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Raquel Varela Não Sabe o Que Foi o Nazismo

Um poster de propaganda nazi onde o judeu é retratado como um corruptor da "pureza do sangue" da "raça ariana". O judeu, normalmente retratado pela propaganda nazi como tendo feições características da raça hebraica, entre as quais se destacam o tamanho desproporcional do nariz, da boca e das orelhas em relação à cabeça, neste caso é retratado a olhar de forma cobiçadora para uma jovem rapariga ariana. O objectivo deste tipo de propaganda era o de alertar as jovens raparigas alemãs para os supostos perigos de terem relações sexuais com judeus, pois poderiam tornar o seu sangue "impuro" e contribuir assim para a "degeneração" da raça ariana. Note-se a extrema eficácia deste tipo de propaganda que de forma simples conseguia passar mensagens extremamente poderosas.  



"O judeu é o inimigo e o destruidor da pureza do sangue, o destruidor consciente da nossa raça... Como socialistas, nós somos opositores dos judeus, porque nós vemos, nos Hebreus, a encarnação do capitalismo, a perversão dos bens da Nação."[1] - Joseph Goebbels (1897-1945), Ministro da Propaganda do Terceiro Reich

Raquel Varela, a historiadora preferida da esquerda caviar tuga, voltou a tecer das suas num recente artigo publicado no seu blog intitulado Trabalho Forçado e o Holocausto. Na peça em questão, Raquel Varela afirma que "a perseguição nazi aos judeus e aos ciganos e outros grupos tem como primeira razão a necessidade de encher os campos de trabalhadores forçados que fizeram a economia de guerra nazi e portanto a saída para a burguesia alemã da crise de 29."[2]

Mas que demência vem a ser esta?

Tal como é costume na historiografia marxista, Raquel Varela coloca o elemento económico como não apenas o motor da história, mas como o motor das próprias políticas raciais nazis. Isto seria aceitável se fosse escrito por uma qualquer aluna de secundário com a cabeça lavada pela JCP, mas é inadmissível para uma pessoa com o destaque mediático de Raquel Varela.

O Nacional-Socialismo era racista porque isso fazia parte não apenas da sua ideologia, mas constituía a própria pedra angular da cosmovisão ideológica que os nazis tinham do mundo. A utopia nazi era a construção de um mundo dominado por uma suposta "raça ariana", perfeita e superior a todas as outras raças. A prova de que o racismo nazi era totalmente ilógico e não tinha motivações económicas como causa primária, foi o facto de durante a guerra o regime nazi ter colocado como prioridade máxima o extermínio dos judeus, em lugar de dar prioridade ao abastecimento e apoio das tropas alemãs. 

Comboios de reabastecimentos e munições para a Wehrmacht seguiam atrasados muitas vezes ou nem sequer chegavam a seguir porque o regime estava ocupado a deportar judeus para campos de concentração e extermínio. É absolutamente absurdo como o regime nazi, já na fase final da guerra, com o combustível, as munições e o armamento a escassear, continuou a dar prioridade a comboios carregados de civis rumo à escravatura ou à morte, em lugar de dar prioridade a comboios que visavam o precioso reabastecimento do seu exército.

O fanatismo nazi em torno do ideal da raça nunca teve como causa primária a motivação económica. Antes pelo contrário, a busca pela utopia racial e um Mundo "perfeito" dominado pela "raça Ariana" foram sempre o verdadeiro objectivo de toda a política nazi. Claro que para a Raquel Varela nada disto interessa, pois a sua visão marxista da história impede-a de ter o mínimo de lucidez ou racionalidade objectiva nas suas análises e por isso é que ocasionalmente sai asneira da grossa.

De notar ainda que o próprio Hitler nunca nutriu qualquer interesse pela opulência, o dinheiro ou o luxo. Depois de se tornar Reichskanzler a 30 de Janeiro de 1933 ele nunca chegou sequer a alterar o salário que recebia do Estado[3] e levou sempre uma vida relativamente austera. Fica demonstrado que Raquel Varela não sabe o que foi o Nacional-Socialismo, talvez saiba o que foi o Holocausto, mas definitivamente não percebe o Nazismo, nem o vai conseguir perceber enquanto continuar a tentar interpretá-lo através de uma perspectiva marxista. Fazia-lhe bem ler o clássico The Rise and Fall of The Third Reich: A History of Nazi Germany de William L. Shirer.


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Notas:
[1] GOEBBELS, Joseph; MJÖLNIR - Those Damned Nazis. German Propaganda Archive, 1932. Link: http://research.calvin.edu/german-propaganda-archive/haken32.htm
[2] VARELA, Raquel - Trabalho Forçado e o Holocausto. Raquel Varela, 27 de Setembro de 2014. Link: http://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2014/09/27/trabalho-forcado-e-o-holocausto/
[3] SHIRER, William L. - The Rise and Fall of The Third Reich: A History of Nazi Germany. Simon & Schuster, 1960.


João José Horta Nobre
Outubro de 2014




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