sábado, 7 de dezembro de 2013

Francisco Rolão Preto e o Movimento Nacional-Sindicalista: Quando a Extrema-Direita Portuguesa Era Anti-Salazarista

Francisco Rolão Preto, o fundador e líder do Movimento Nacional-Sindicalista, também conhecido pela designação de «camisas azuis» que usavam como uniforme, algures na década de 1930.


"AOS PORTUGUESES!

No mais atrabiliario dos atropelos ás próprias leis que promulgou, o governo de Salazar fez expulsar de Portugal os Drs. Rolão Preto e Alberto de Monsarez na logica sequencia da serie de perseguições que ao Nacional Sindicalismo e aos seus dirigentes vinha movendo.

Dos serviços que prestaram os dois homisiados e os muitos que nas cadeias de Lisboa e do Porto teem sofrido as violencias do governo, batendo-se e servindo a Ditadura, propagando e defendendo as ideias de que o Dr. Salazar se afirma paradigma numa enjoativa e custosa publicidade pessoal, não só não tem memória como não pode ter compreensão a clientela recenchegada de vendidos que rodeia S. Exa. e ante a sua complacencia, faz descer o nível da mentalidade portuguesa a uma pobreza que envergonha e a uma baixeza moral que repugna e aflige.

Não reconhecemos ao Dr. Salazar a infalibilidade de que se julga possuido ! É esse o nosso «crime» de Nacionalistas e de Portugueses.

O Dr. Salazar realisou uma obra indispensável de saneamento financeiro - mas, é em nome dum acerto de contas bem realizado, que Portugal ha-de sujeitar-se ao sobado inadmissivel dum homem que não se sabe o que quere, que não diz o que quere, nem que ocultos designios o conduzem na tirania que exerce?

Em nome da sua obra financeira - que Deus sabe que terriveis consequências trará ainda para a economia nacional asfixiada - terão de sujeitar-se os portugueses ao seu livre arbitrio de corruptor, e por êle á camarilha de famintos que mantem a grandes ordenados, enquanto se estala de fome, como quem serve ração dobrada aos mastins da sua quinta?

Porque as contas do estado estão hoje certas ha-de aceitar-se que um homem que deve ao Exercito a sua existencia e a sua força como politico, publica e permanentemente achicalhe a Fôrça Armada, só porque ela nem sempre faz côro com os «amens» da grande imprensa comprada e do bando de imorais que cerca e adula S. Exa.?

A corte negra e negociavel dos «padre-Marques», merecer-lhe-há mais respeito que o Exercito que salvou a Nação na hora gloriosa de 26 ?  Ou sentir-se-ha o Dr. Salazar, perante ele, culpado da mesma politica mesquinha de amigalhaços, da mesma arbitrariedade e do mesmo compadrio que levou a levantar-se, já uma vez, a espada limpa do orgulho Nacional ?

Falemos claro !

Como em 26, peor que em 26, Portugal está entregue a uma ignominiosa oligarquia de metéques que a Censura protege e Salazar sustenta. A «União Nacional», como o antigo partido democrático, é uma agencia de empregos. O exercito e o seu esforço redentor vilipendiado e esquecido. Os Nacionalistas de sempre são perseguidos, presos, maltratados e expatriados. Até quando durará este estado de coisas ?

Breve se fará Justiça. Nessa certeza e com essa Fé lutamos e venceremos, certos de que acordará, duma vez para sempre, a consciencia dos que fizeram o 28 de Maio, dos que, á custa do seu esforço desinteressado, teem mantido uma situação de que intrusos querem apossar-se, indignamente.

Breve se fará Justiça. Basta um assopro violento que varra o cisco.

Lisboa, 24 de Julho de 1934.

UM GRUPO DE NACIONAIS-SINDICALISTAS REVOLUCIONARIOS [sic]"


Este comunicado do Movimento Nacional-Sindicalista (MNS) foi emitido em consequência da prisão do seu líder, Francisco Rolão Preto a 10 de Julho de 1934. Pouco depois, a 29 de Julho do mesmo ano, Salazar decretou a proibição do MNS alegando que o mesmo se baseava em certos modelos estrangeiros como o Fascismo Italiano. Em 1935, Rolão Preto e os últimos resistentes do MNS tentaram num último sopro de força organizar uma revolta armada contra o regime de Salazar (nomeadamente a tentativa de revolta do navio Bartolomeu Dias e do destacamento militar do Quartel da Penha de França), porém, os planos fracassaram e Rolão Preto viu-se obrigado a partir para o Exílio em Espanha, tendo o MNS morrido definitivamente a partir de então. De todos os grupos e movimentos nacionalistas que se bateram contra o regime de Salazar e estiveram mesmo dispostos a pegar em armas contra o mesmo, o MNS foi de longe o que mais sucesso obteve.


A Cruz da Ordem de Cristo era utilizada como símbolo pelo Movimento Nacional-Sindicalista e era exibida nas braçadeiras das camisas azuis do uniforme.


O MNS caracterizava-se a si mesmo como um movimento anti-burguês, anti-comunista, anti-liberal, anti-democrático, anti-capitalista, anti-conservador, familiar, municipalista, sindicalista, corporativista, representativo, autoritário e nacionalista.[1] A estética adoptada pelo MNS era baseada na mesma estética que estava em voga nos movimentos nacionalistas da época, nomeadamente a utilização da saudação romana e a utilização de «camisas azuis», em tudo semelhantes às «camisas negras» utilizadas pelos membros do Partido Nacional Fascista italiano. Apesar destas semelhanças estéticas com o Fascismo de Mussolini, o MNS nunca se assumiu como fascista, pelo contrário, o seu corpus ideológico era baseado na Doutrina Social da Igreja, no Personalismo Cristão, e no Integralismo Lusitano[2], colocando-se assim bem longe do Futurismo anti-tradicional e militarista que foi a base do Fascismo em Itália. 


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Notas:
[1] SARAIVA, José Hermano - História de Portugal, Volume III, 1640 - Atualidade, p. 596.
[2] SARAIVA, José Hermano - História de Portugal, Volume III, 1640 - Atualidade, p. 596.

João José Horta Nobre
Dezembro de 2013
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Ucrânia Está a Viver Num Passado Que Já Não Existe

 


"Uma coisa é aprender com o passado, outra é ficar lá preso." - José Alberto Braga

Os recentes acontecimentos na Ucrânia ilustram que a leste ainda se sonha com um passado que já deixou de existir. A Europa a que muitos ucranianos se desejam unir, a Europa da suposta "solidariedade", "irmandade" e "cooperação", é uma Europa que já desapareceu e esta, na prática apenas deveu a sua fugaz existência a uma conjugação quase perfeita de interesses geopolíticos e económicos que temporariamente forneceram o combustível necessário para o tão badalado "projecto europeu". A Europa pela qual muitos na Ucrânia se têm batido não passa hoje de um projecto falhado, um projecto que muito possivelmente acabará no caixote de lixo da história a crer no rumo eurocéptico que as coisas ultimamente parecem ter tomado...

Muitos na Ucrânia alegam que o seu desejo de entrar para a União Europeia se deve à vontade de fugir à influência russa. Este desejo é total e absolutamente legítimo, porém, é enganador pensar-se que ao aderir à União Europeia, a Ucrânia irá adquirir garantias de independência nacional. 

Antes pelo contrário! 

A União Europeia é hoje uma organização supranacional e internacionalista, dominada por lobby's e clubes elitistas que são tudo menos democráticos. Na União Europeia não existe soberania nacional, ao invés, existe subserviência nacional, nomeadamente a subserviência incondicional aos diktates que Bruxelas vomita com regularidade. Os ucranianos que estudem e analisem o que a União Europeia fez à agricultura, pesca e indústria portuguesa nos últimos trinta anos. Estes sectores foram totalmente desmantelados para servir interesses alheios aos nossos. Na Ucrânia julgam que irá ser diferente? Julgam que uma Alemanha dominada por gente como a senhora Merkel vai "ajudar" a Ucrânia seja no que for? Ou o senhor Durão Barroso (um ex-maoista) e os seus seguidores e colegas eurocratas? Observem o passado desta gente e rapidamente constatarão as ligações sinistras que muitos dos mesmos têm com a alta finança, a banca, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Clube Bilderberg apenas para citar alguns exemplos. Qualquer pessoa de mente sã percebe que deste tipo de gente não pode vir coisa boa...

Os ucranianos que não alinhem em loucuras patrocinadas pela máfia de Bruxelas e do FMI. Libertem-se da influência russa (é um direito que têm como Nação independente e soberana), combatam a corrupção (o pior mal que pode atingir um povo) e desenvolvam o País de uma forma economicamente sustentável e justa. Mas digam NÃO tanto ao Imperialismo Russo como ao Imperialismo económico-financeiro da União Europeia e do FMI, caso contrário, no futuro irão possivelmente arrepender-se muito dessa decisão... 

João José Horta Nobre
Dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O "Manual de Treino da Al Qaeda": Lições de Terror

Osama bin Laden, o fundador da Al Qaeda. Atrás de si podemos ver a bandeira negra usada pela maioria dos islamitas e pela própria Al Qaeda, que progressivamente se tem vindo a tornar um símbolo do movimento islamita.


"Eles almejam que renegueis a Fé como eles a renegam, e, assim, sereis iguais. Então, não tomeis, dentre eles, aliados, até que emigrem, no caminho de Allah. E, se voltarem as costas, apanhai-os e matai-os, onde quer que os encontreis. E não tomeis, dentre eles, aliado nem socorredor." - Alcorão, Sura 4, Versículo 89

Em 2000 a polícia britânica levou a cabo um raid numa casa pertencente a Anas al-Liby, um membro da Al Qaeda residente em Manchester e implicado nos atentados de 1998 contra as embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Kenya. Durante as buscas foi encontrado um livro que mais tarde o Federal Bureau of Investigation (FBI) identificou como sendo um manual de treino produzido pela Al Qaeda, também conhecido como o Manchester Manual.[1] O manual é composto por um total de dezoito lições e é um atestado à sofisticação da doutrina militar da Al Qaeda que tem conseguido durante mais de uma década colocar todos os serviços de inteligência do Ocidente em "bicos de pés" e atolar os Estados Unidos e os seus aliados - a maior potência militar na face da terra - no Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e restantes países de maioria muçulmana onde têm intervido directa ou indirectamente. Se em 2000 a Al Qaeda já tinha capacidade para treinar os seus membros com o grau de sofisticação que é visível no manual, então imagine-se hoje, passados treze anos e várias guerras, qual não será a experiência que possui actualmente a mais sofisticada organização terrorista da história...


Link para o Manual de Treino da Al Qaeda* traduzido em inglês e disponibilizado pela Federation of American Scientists:

http://www.fas.org/irp/world/para/aqmanual.pdf


Notas:
[1] - MILES, Donna - Al Qaeda Manual Drives Detainee Behaviour at Guantanamo Bay, American Forces Press Service, U. S. Department of Defense, Washington, June 29th, 2005. Link: http://www.defense.gov/news/newsarticle.aspx?id=16270

*Algumas partes mais "sensíveis" do manual foram propositadamente censuradas, de forma a evitar que alguns "xico-espertos" possam aprender demasiado... De qualquer forma, a censura é inútil pois encontram-se na internet de forma plenamente disponível ao público vários manuais militares e videos de treino onde qualquer um pode fácilmente adquirir de forma ainda mais completa os conhecimentos aqui censurados. Se antes de existir a internet já era dificíl combater o terrorismo, agora essa tarefa é muito mais dificíl devido à ampla informação em circulação.

João José Horta Nobre
Dezembro de 2013

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