domingo, 17 de março de 2013

Iraque: 10 Anos Depois a Tragédia de Uma Nação Contínua...

Uma empregada de uma mesquita lava o corpo de Lamiahm Ali de apenas 6 anos. Foi morta quando uma bomba americana explodiu próximo da sua casa e a matou em conjunto com mais três irmãos enquanto brincavam. A fotografia foi tirada a 26 de Abril de 2003.



Há 10 anos os Estados Unidos cometeram o maior e mais grave erro da sua História ao invadir o Iraque.

O resultado da infame aventura foram até agora 112 mil mortos do lado iraquiano. Incontáveis preciosidades históricas e monumentos foram danificados ou destruídos e a nação iraquiana foi mergulhada num banho de sangue como nunca antes tinha conhecido.

O ex-Presidente Bush continua a viver tranquilamente no seu rancho no Texas enquanto a tremenda pilha de cadáveres provocada pela sua administração continua a aumentar de dia para dia.

Como português, sinto-me envergonhado por saber que o meu país passou a fazer parte dessa infâmia quando o então primeiro-ministro Durão Barroso recebeu Bush e Aznar na Cimeira dos Açores para planearem o assalto final à nação irquiana.

A Guerra do Iraque destruiu milhares de famílias de ambos os lados do conflicto. Crianças orfãs, viúvas, pais que perderam os filhos, etc... Segundo um estudo tornado público a 17 de Março de 2013 pelo Iraq Body Count, a contabilização dos combatentes mortos de ambos os lados e das mortes não documentadas poderá elevar o número de vítimas do conflicto até às 174 mil.

O mais triste é que esta guerra ainda não acabou e a pilha de cadáveres, feridos e mutilados vai ainda continuar a aumentar...


Notas:

1 - LUSA, Mais de 112 Mil Mortos em 10 Anos de Guerra no Iraque, Diário de Notícias, http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3113283&seccao=M%E9dio%20Oriente, data da última consulta: 17 de Março de 2013.




João José Horta Nobre
Março de 2013




 

sábado, 16 de março de 2013

Portugal e a União Europeia: Oportunismo, Mentiras e Decepções




O tratado através do qual Portugal e Espanha aderiram à Comunidade Económica Europeia (CEE) teve um longo período de negociações com inúmeras dificuldades e obstáculos que não poucas vezes se revelaram difíceis de ultrapassar.


No fundo, muitas das dificuldades que atrasaram a entrada de Portugal na Comunidade Europeia não foram propriamente originadas pela parte portuguesa, mas sim por outros Estados membros, especialmente a Itália e a França para quem a adesão portuguesa traria alguns inconvenientes. Logo aqui se viu que a assim-chamada "fraternidade europeia" não passava de fumo, porém, os políticos da III República Portuguesa insistiram em prosseguir com o processo para a adesão de Portugal à CEE inindependentemente das consequências sócio-económicas que isso poderia acarretar para a nação.


Muitas das dificuldades foram levantas por organizações agrícolas da comunidade que não desejavam ver entrar um novo membro como Portugal que na época produzia produtos agrícolas a preços muito competitivos devido ao baixo custa da mão de obra nacional. Nomeadamente a França, não queria ver de forma alguma, um novo membro que conseguisse inundar o mercado agrícola Europeu com produtos a baixo preço, fazendo assim os produtos agrícolas Franceses perderem competitividade.


Assim, para agradar aos senhores de Bruxelas, a agricultura portuguesa foi sistemática e metódicamente destruída como sector económico. Seguiram-se as pescas com as consequências que são bem conhecidas por todos nós...


Logo aqui Portugal perdeu dois sectores estratégicos da sua soberania económica: a agricultura e as pescas. Em troca, a CEE presenteava Portugal com chorudos subsídios e fundos comunitários que para pouco ou nada serviram. Pagaram-se a agricultores para não cultivar e a pescadores para abater os seus navios de pesca.


Haverá ainda alguma dúvida de que estamos perante um plano sistemático para minar a soberania económica de Portugal à qual se seguiria a destruição da sua soberania política?  


Hoje é bem sabido que na realidade as razões para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia foram mais por motivos políticos e de geo-estratégia do que por qualquer outra razão. Para a Comunidade Europeia, a entrada de Portugal, Espanha e Grécia era um passo essencial para alargar a sua zona de influência ao Sul mediterrânico.


Um outro argumento que pesou e muito na decisão de admitir Portugal e Espanha foi a esperança de essa adesão poder vir a permitir uma melhoria do acesso comunitário aos mercados da América Latina e PALOP’s. No entanto este argumento foi ao mesmo tempo um argumento negativo, pois alguns estados membros Europeus na realidade receavam um acréscimo de concorrência , devido ao facto de não terem influência suficiente naqueles mercados.


Quando se dá a Revolução dos Cravos em 1974, a unidade Europeia não estava nos horizontes dos autores do golpe de Abril. O programa do MFA apontou desde o início para diferentes metas e destinos que não condiziam propriamente com uma adesão às Comunidades Europeias.


A mudança deu-se quando em 1976, após a tomada de posse do I Governo Constitucional, em 1976, veio a verificar-se um conjunto de alterações em torno do relacionamento externo português que vieram a cumular num pedido de adesão às Comunidades Europeias.


Não se pode falar do programa do MFA sem se referir uma das suas fontes, o livro Portugal e o Futuro do General Spínola. O General defendeu neste livro a criação de uma «Comunidade Lusíada» que seria uma Federação composta por Portugal e as suas Províncias Ultramarinas. Nesta suposta Federação não havia lugar para a Europa, pois um dos próprios objectivos da Federação seria a de servir de contrapeso à Comunidade Europeia e vir a constituir uma possível futura potência económica mundial que devido ao tamanho territorial de Portugal e das Províncias Ultramarinas quando combinadas, não era uma ideia desprovida de razão.


Hoje, Portugal poderia viver em paz, em federação com as sua antigas províncias ultramarinas. Os povos das mesmas nunca teriam conhecido décadas de guerra civil e ter-se-iam poupado centenas de milhares de vidas. Poderíamos ter uma zona económica exclusiva riquíssima e que servisse a todos. Em lugar disso não temos nada.


Os políticos da III República, de forma irresponsável e criminosa, entregaram as províncias ultramarinas aos assim-chamados "movimentos de libertação". Que rica "liberdade" sem dúvida...


Tudo isto foi feito sem levar a cabo consultas populares, sem ter em conta a vontade das populações locais. Assim, Portugal abandonou milhões de portugueses espalhados pela África e Ásia que não só tinham combatido debaixo da bandeira das quinas, como também nunca pediram para deixarem de ser portugueses.


Os políticos da III República Portuguesa têm noção da dimensão do seu crime e sem dúvida que um dos seus maiores receios é o de que uma mudança de regime (mais uma...) possa acarretar ajustas de contas e os deixe ficar muito mal na História...


O MFA nunca pretendeu arrastar Portugal para a CEE, mesmo o General Spínola apenas defendia a celebração de acordos comerciais com a CEE, mas não uma integração efectiva de Portugal na mesma.


O programa do MFA não era de forma alguma, como muitos poderão pensar, um programa político, mas antes um manifesto em que era justificada a acção empreendida pelas forças armadas para resolver a «grande crise nacional que Portugal atravessava». 


É a 28 de Março de 1977, que o 1º Governo Constitucional, presidido pelo Dr. Mário Soares, apresenta o pedido de abertura de negociações para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia.


O pedido teve imediatamente o apoio do PS, PPD, CDS  e a oposição do PCP. O PCP, aliás revelou-se desde o início o partido político mais oposto à adesão de Portugal à Comunidade Europeia por motivos nitidamente ideológicos. Sendo o PCP, um partido com claras ligações à União Soviética e tendo Álvaro Cunhal, na altura secretário geral do PCP, vivido na União Soviética durante vários anos, era natural que este não desejasse que Portugal entrasse para a “capitalista” Comunidade Económica Europeia. 


Para o PCP, a sua recusa em ver Portugal entrar para a CEE não tinha nada a ver com um desejo de proteger o interesse nacional, mas sim com a necessidade de agradar aos seus patronos em Moscovo.


Mário Soares explicou as razões do pedido feito por si durante uma visita à Comissão Europeia:


“Desafio para Portugal, primeiramente, porque não ignoramos as nossas fraquezas nem as nossas dificuldades presentes. Desafio também para a Europa, pois ao batermos à sua porta temos o sentimento de exprimir o sentido e a dimensão europeia das alterações políticas e sociais decorridas ou a decorrer na Europa do Sul. Ignorar esta nova realidade aumentaria necessariamente o fosso que ainda separa, em termos económicos , esta Europa do Sul da Europa do Norte, com todos os perigos de desintegração e ruptura para toda a Europa que inevitavelmente se verificariam a longo prazo.”


Finalmente a 17 de Outubro de 1978 iniciaram-se as negociações para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia, era o inicio do princípio de uma nova página na história de Portugal.


A recepção da notícia de conclusão das negociações em Bruxelas em 1985 não foi de forma alguma unânime em Portugal, contrariamente ao que se veio a passar em Espanha. Publicamente apenas o partido no poder, ou seja, o PS, manifestou a sua satisfação e o Presidente da República, o General Ramalho Eanes, expressou expressou a sua satisfação através de um comunicado. Em relação aos outros partidos e forças sociais, incluindo os meios empresariais e sindicais, estes mostraram-se por norma desconfiados ou mesmo adversos. No fundo o que contribuiu mais para esta divergência de opiniões foram essencialmente o secretismo das negociações e a ignorância do público sobre as matérias acordadas nas negociações. Tudo muito "democrático" sem dúvida...


O povo em geral sabia que havia aspectos positivos e negativos à adesão de Portugal à Comunidade Europeia, mas não estava informado sobre exactamente quais eram esses aspectos. Os "democratas" da III República Portuguesa nem sequer se preocuparam em perguntar ao povo português se este desejava entrar para a CEE.



Na área da esquerda política, os sectores sindicais manifestaram o receio de quebra de produção e emprego face à maior competitividade das empresas europeias e espanholas, ao agravamento do papel subalterno de Portugal na divisão internacional do trabalho, à invasão do país pelas actividades industriais poluentes, ao reforço do papel das multinacionais na economia portuguesa, ao agravamento da dependência tecnológica, à entrega dos principais recursos e dos sectores mais rentáveis, públicos e privados, ao capital internacional e ao estrangulamento dos projectos de desenvolvimento então em curso. 


O PCP manifestou uma oposição de principio, pois seria inaceitável um partido apoiante do Pacto de Varsóvia e do regime Soviético, apoiar também uma Comunidade Económica Europeia de cariz capitalista e em que a esmagadora maioria dos membros pertenciam à NATO. Em relação ao PS, este apoiou desde o início e de forma incondicional a adesão de Portugal à Comunidade Europeia sem realizar qualquer consulta popular à semelhança do que já tinha feito em relação à descolonização...


Por sua vez a área da direita Portuguesa mostrou um sectorial empresarial preocupado devido à falta de preparação das estruturas económicas para aproveitar as vantagens da adesão e evitar os seus inconvenientes. Os empresários também temiam o período de transição que consideravam não ser suficiente para a adaptação da economia Portuguesa às regras comunitárias. Neste campo, tanto o PSD como o CDS assumiram posições de apoio prudente.


A economia Portuguesa atravessava em 1985 uma das suas maiores crises, com elevadas taxas de inflação e de desemprego. Viviam-se as consequências do segundo choque petrolífero e do segundo programa de estabilização imposto pelo FMI. Além da crise conjuntural, a estrutura económica portuguesa era bastante débil e as privatizações e abertura da actividade económica à iniciativa privada não deram os resultados previstos. Para além disto tudo, matinha-se em Portugal um elevado atraso industrial e agrícola associados a uma baixa produtividade empresarial.


Apesar de todos os obstáculos sociais, económicos e políticos as negociações foram dadas por encerradas em Bruxelas a 29 de Março de 1985.


A adesão simultânea de Portugal e Espanha através de um único Tratado não teve precedentes e a justificação para a celebração de um Tratado comum a Portugal e Espanha, em vez de dois tratados distintos não foi suficientemente explicada à opinião pública, pois tal não interessava aos donos do poder...


Por fim, a 10 de Julho de 1985 a Assembleia da República Portuguesa ratificou o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia de Energia Atómica e Comunidade e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. A votação contou com os votos a favor do PS, PSD, CDS, ASDI e UEDS, tendo votado contra o PCP e o Partido Os Verdes. O MDP/CDE não esteve presente na sessão.


Vinte e oito anos após a entrada de Portugal para a Comunidade Europeia, agora União Europeia, é inegável que esta adesão modificou a vida dos Portugueses de forma profunda e marcante.


É hoje reconhecido por todos os partidos políticos portugueses que Portugal viveu durante a década de 90 um período de "vacas gordas" alimentado por fundos europeus que foram, regra geral, mal distribuídos e utilizados. Os donos do poder da III República e o povo em geral, alucinados por tanto dinheiro que jorrava imparável para dentro dos cofres do Estado, prosseguiram suicidáriamente com todas a imposições de Bruxelas. Como consequência inevitável, a economia portuguesa acabou arrasada e os grandes beneficiários de toda esta situação foram a Alemanha, França e Grã-Bretanha que assim eliminaram um concorrente económico e criaram um Portugal dependente dos seus capitais e forçado a importar os seus produtos.


A História registará no futuro de forma clara e irreprensível, que o legado da III República Portuguesa (possivelmente a última...) é o de uma nação arruinada em que as filas de desempregados aumentam de dia para dia, os jovens desertam do país, os idosos morrem sozinhos e abandonados, a taxa de suicídio dispara e a classe política vive numa decadência ética e moral verdadeiramente deploráveis.




Bibliografia:


   - Portugal e a Europa: Distanciamento e Reencontro; António Martins da Silva.


   - Portugal e a Europa: Ideias, Factos, Desafios; Rui Lourenço Amaral de Almeida.


   - História IX; Vários Autores; Porto Editora; 2004.



João José Horta Nobre 
Março de 2013





sábado, 9 de março de 2013

A Paranóia de Hugo Chávez

 



O recente falecimento do Presidente Hugo Chávez fez-me recordar uma história que uma ex-emigrante portuguesa que viveu na Venezuela me contou em 2007.

A senhora em questão viveu na Venezuela por largos anos e lá ainda tem a sua filha a viver. Esta sua filha é uma das pouquíssimas luso-venezuelanas que trabalharam na comitiva presidencial de Hugo Chávez e que por isso mesmo conhece bem por dentro como funcionava a paranóia esquizofrénica da mesma.

Não foi por ser uma apoiante do "Socialismo Bolivariano", mas sim por precisar de um bom emprego numa Venezuela já de si com poucos bons empregos, que a referida luso-venezuelana se viu a trabalhar na comitiva de Hugo Chávez.

As condições de trabalho para aqueles que estavam mais próximos do ex-presidente eram muito melhores e estes auferiam de salários e privilégios que não estavam ao alcance da esmagadora maioria dos Venezuelanos.

Esta luso-venezuelana assistiu a situações muitíssimo insólitas e perfeitamente típicas de um político extravagante como o era Hugo Chávez. A seguinte história foi contada pela mãe da senhora em questão:

Uma noite, por volta das 3 da manhã, enquanto o Presidente Chávez e a sua comitiva pernoitavam num hotel, o corpo de segurança de Hugo Chávez começa a bater às portas dos quartos todos, a acordar toda a comitiva e a dar ordens para abandonar o hotel imediatamente.

O Presidente Chávez estava a ter um ataque de pânico!

Acordou na sua cama com a ideia de que o Presidente Bush o ía assassinar naquela mesma noite com um míssil dirigido contra o hotel. Sem hesitação, insistiu em acordar imediatamente toda a sua comitiva para mudar de hotel a meio da noite.

E assim foi. Uma comitiva composta por dezenas de pessoas, foi forçada a trocar de hotel a meio da noite, apenas porque o senhor Presidente Hugo Chávez acordou com a ideia de que Bush o ía assassinar naquela mesma noite com um míssil.

É perfeitamente credível que o Presidente Bush quisesse assassinar Hugo Chávez. Mas é inconcebível que o fosse assassinar com um míssil dirigido contra um hotel cheio de civis. A extravagância da ideia de Hugo Chávez é demonstrativa de uma paranóia típica apenas de ditadores como Saddam Hussein ou Joseph Estaline.

E é esta mesma paranóia que marcou e ficará para a história como uma das "imagens de marca" do governo de Hugo Chávez. Uma paranóia inflamatória contra inimigos internos e externos, uns reais e outros imaginários. Uma paranóia que dividiu e continua a dividir a sociedade venezuelana de forma trágica.



João José Horta Nobre
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Março de 2013



     


 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Quando a Itália Tinha Orgulho em Ser Fascista

Mussolini condecora alguns Camisas Negras pertencentes aos "Batalhões M" durante a Segunda Guerra Mundial.


“Mais vale viver um dia como um leão do que cem anos como uma ovelha.” – Benito Mussolini (1883 – 1945)

No dia 24 de Julho de 1943, o Grande Conselho do Fascismo em conluio com o Conde Dino Grandi, votaram de forma esmagadora pelo afastamento imediato de Benito Mussolini. O Rei Victor Emmanuel III já há algum tempo que procurava uma forma de afastar Mussolini do poder devido ao desastre militar para onde este havia conduzido a Itália ao seguir Hitler nas suas aventuras bélicas. A oportunidade era por isso demasiado boa para poder ser desperdiçada, Victor Emmanuel III tomou o assunto em mãos, convocou Mussolini ao seu palácio no dia seguinte e informou-o de que este já não era o primeiro-ministro de Itália. De seguida Victor Emmanuel III deu ordem para que Mussolini fosse imediatamente detido.

Muitos poderão não o compreender, mas o que se passou nos dias 24 e 25 de Julho de 1943 foi um ponto de viragem radical para a Itália. 

Tem sido largamente disseminada a ideia (por alguns historiadores com agendas próprias…) de que o Fascismo apenas recebeu apoio popular em massa até ao início da década de 1930 e que após isso o regime fascista se conseguiu manter de pé em Itália graças à propaganda agressiva e à repressão. Ora, tal não podia estar mais longe da verdade.

Mussolini sofreu pesadíssimos desastres militares na Líbia, Grécia e nas águas do Mediterrâneo. O exército italiano possuía homens suficientes para defender eficazmente todos estes territórios de qualquer agressão estrangeira, porém, não possuía nem o treino, nem o equipamento e nem a liderança militar à altura de tal tarefa. Os generais italianos eram medíocres no seu melhor e utilizavam tácticas de combate da Primeira Guerra Mundial. Em resumo, a Itália não possuía quaisquer meios ou condições que lhe pudessem garantir uma vitória na Segunda Guerra Mundial. O desastre era assim inevitável…

No entanto, o povo Italiano manteve-se fiel em massa ao regime fascista até 1943. 

O regime fascista manteve-se firme apesar dos bombardeamentos anglo-americanos às cidades italianas. Nem a carestia, nem a penúria trazidas pelo controlo imposto pelos alemães fizeram com que o povo italiano se erguesse em revolta contra o fascismo. Nem mesmo quando a poderosa Força Aérea Estado-Unidense bombardeou Roma para mostrar ao povo italiano que Mussolini já não o conseguia proteger das bombas e que o fascismo estava acabado, esse mesmo povo se levantou contra Mussolini. Pelo contrário, Mussolini ainda saiu tranquilamente à rua para inspecionar os estragos provocados pelas bombas e continuou como se nada de especial se passasse. 

Tudo isto veio a mudar de forma radical nos dias 24 e 25 de Julho de 1943. A célere deposição do Duce pelo Rei provocou uma autêntica histeria colectiva em toda a Itália. Em Roma muitos foram aqueles que saíram à rua empunhando fotos do Rei e considerando-o um libertador, mas que apenas dias antes diziam-se grandes apoiantes do Duce.

Uma das frases mais repetidas no dia a seguir à queda do Duce era: “como sabes, eu nunca fui fascista.” Era mentira. Até então, praticamente toda a Itália em peso havia sido fascista.

O rio Tibre corria para o Mediterrâneo arrastando na sua corrente uma prodigiosa quantidade de camisas negras apressadamente despidas pelos até então fiéis elementos do regime fascista. Muitos foram aqueles que nas horas e dias seguintes à queda do Duce queimaram documentos, uniformes, insígnias e outros acessórios que poderiam denunciar as suas ligações com o regime fascista italiano.

O fascismo havia seduzido o povo italiano como nenhum outro movimento político o tinha conseguido fazer em toda a história da península itálica. Desde o simples operário da linha de montagem da Fiat até às elites académicas, o fascismo tinha seduzido toda a Itália com pouquíssimas excepções. O povo italiano tinha orgulho em ser fascista e considerava-se o fundador de um movimento político avant-garde nunca antes visto na história da humanidade - basta consultar os jornais e a restante documentação da época para se perceber isto.

Mesmo após ser preso e posteriormente liberto pelos alemães, Mussolini continuou a ser admirado por muitos italianos em segredo no sul da Itália já ocupada pelos aliados e no Norte ocupado pelo exército alemão. A prova disto foi o ruidoso banho de multidão que Mussolini recebeu em Milão, poucos dias antes do seu assassinato (algo ainda muito mal explicado, pois não convém o contrário…).

O fim da Segunda Guerra Mundial colocou fim ao movimento fascista como um fenómeno internacional organizado. Porém, a “justiça” dos vencedores da guerra esteve longe de ser algo que se possa considerar como tendo sido decente.

Os aliados nunca foram obrigados a responder pelo bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki (isto para não falar de Dresden…). No entanto, os derrotados na guerra foram expostos em inúmeros tribunais internacionais e acusados de toda a espécie de crimes contra a humanidade. Ninguém nota aqui a hipocrisia?

Os mesmos aliados que derrotaram Mussolini e lhe chamaram um criminoso de guerra por se ter aliado a Hitler, foram os mesmos que deram a mão a Estaline e traíram o povo polaco permitindo que a Polónia ficasse sob o jugo soviético até ao fim da Guerra Fria. Mas sobre isto os livros de história “politicamente correctos” não falam e duvido que alguma vez venham a falar…

João José Horta Nobre
Março de 2013

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