quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Portaria da Bolacha Maria: Um episódio do PREC



O Processo Revolucionário em Curso [PREC] (Abril de 1974 - Abril de 1976)[1] foi um período rico em ideias verdadeiramente engenhosas e que analisadas hoje, mais parecem ter saído de algum filme de fantasia.

Uma destas "fantasias engenhosas" foi a portaria da bolacha Maria, nascida a 30 de Setembro de 1974 e cujo objectivo era "aplicar os conceitos da luta de classe ao reino das bolachas e biscoitos".[2]

A referida portaria visava basicamente criar um regime de preços máximos de venda para a bolacha Maria, pois o legislador que produziu a portaria acreditava que a famosa bolacha, ao contrário de outros tipos de doces e biscoitos, era consumida "em especial pelas classes de menores rendimentos".[3]

Curiosamente, a portaria da bolacha Maria foi produzida no mesmo dia em que o General Spínola se demitiu e Costa Gomes foi nomeado Presidente da República - 30 de Setembro de 1974.[4]

É incrível como num país em total convulsão política (atravessávamos então uma das mais graves crises da nossa História), membro da NATO e já em processo de descolonização desastrosa, tenha havido um membro do governo cuja preocupação máxima fosse a de impassivelmente legislar "sobre os preços máximos da bolacha Maria, e em abono da verdade diga-se também que da bolacha de água-e-sal e das tostas".[5]


Notas:
[1] - GASPAR, Carlos, O Processo Constitucional e a Estabilidade do Regime, Revista Análise Social, vol. XXV, 1990, pág: 9 - 29.
[2] - BLASFÉMIAS, Da relevância política da portaria da Bolacha Maria, http://blasfemias.net/2008/09/11/da-relevancia-politica-da-portaria-da-bolacha-maria/, 11/09/2008, data da última consulta: 22/11/2012.
[3] - BLASFÉMIAS, Da relevância política da portaria da Bolacha Maria, http://blasfemias.net/2008/09/11/da-relevancia-politica-da-portaria-da-bolacha-maria/, 11/09/2008, data da última consulta: 22/11/2012.
[4] - BLASFÉMIAS, Da relevância política da portaria da Bolacha Maria, http://blasfemias.net/2008/09/11/da-relevancia-politica-da-portaria-da-bolacha-maria/, 11/09/2008, data da última consulta: 22/11/2012.
[5] -BLASFÉMIAS, Da relevância política da portaria da Bolacha Maria, http://blasfemias.net/2008/09/11/da-relevancia-politica-da-portaria-da-bolacha-maria/, 11/09/2008, data da última consulta: 22/11/2012.


João José Horta Nobre
Novembro de 2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As Contradições Socialistas na URSS: Uma Velha Piada Soviética...

Lenine, o salvador do povo?




Os anos de vigência do Império Soviético (1922 - 1991) foram bastante férteis em humor político clandestino. Desenvolveram-se durante este período milhares de piadas cuja única intenção era ridicularizar a sempre existente discrepância entre a "versão oficial" e a decepcionante realidade com que os cidadãos soviéticos se confrontavam diariamente.[1]

Deixo aqui uma dessas piadas contada por Oleg Atbashian:


As seis contradições do socialismo na URSS[2]:
 
  • Não há desemprego – mas ninguém está a trabalhar.
  •  Ninguém está a trabalhar – mas as quotas das fábricas são cumpridas.
  • As quotas das fábricas são cumpridas – mas as lojas não têm nada para vender.
  • As lojas não têm nada para vender – mas as casas das pessoas estão cheias de mercadorias.
  • As casas das pessoas estão cheias de mercadorias – mas ninguém está feliz.
  • Ninguém está feliz – mas os votos são sempre iguais.




Notas:
[1] - ATBASHIAN, Oleg, Old Soviet Jokes Become The New American Reality, The Washington Times - Communities, 9 de Novembro de 2012, http://communities.washingtontimes.com/neighborhood/peoples-communities-cube/2012/nov/9/old-soviet-jokes-become-new-american-reality/#ixzz2Bxkbuhg3, data da última consulta: 21 de Novembro de 2012.
[2] - ATBASHIAN, Oleg, Old Soviet Jokes Become The New American Reality, The Washington Times - Communities, 9 de Novembro de 2012, http://communities.washingtontimes.com/neighborhood/peoples-communities-cube/2012/nov/9/old-soviet-jokes-become-new-american-reality/#ixzz2Bxkbuhg3, data da última consulta: 21 de Novembro de 2012.




João José Horta Nobre,
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Novembro de 2012







 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As Greves e a Guilhotina

 A Praça do Hôtel-de-Ville em Paris, antiga Place de Grève.




No dia 25 de Abril de 1792 teve lugar na Place de Grève, situada na margem do Sena em Paris, a primeira execução na qual foi utilizada a guilhotina. O condenado foi um simples ladrão chamado Nicolas Jacques Pelletier e o povo que assistiu à sua morte na guilhotina ficou bastante decepcionado com o "espectáculo", pois este mesmo povo estava habituado a assistir às longas e "refinadas" execuções" levadas a cabo durante o Antigo Regime e por isso mesmo a rapidez célere com que a guilhotina levou a cabo a tarefa para a qual foi construída não foi inicialmente bem aceite. 

Esta não seria a última vez que a guilhotina era colocada a uso na Place de Grève e entre as mais famosas cabeças que foram guilhotinadas neste local contam-se as do deputado da Convenção Nacional, Jean-Baptiste Carrier e a do promotor público Fouquier-Tinville.

 Foi esta mesma Place de Grève, outrora um local de embarque e desembarque para navios, que serviu durante largo tempo como um local de reunião para os desempregados e operários insatisfeitos com as suas condições de trabalho. Grève significa em francês um "terreno plano composto de cascalho ou areia à margem do mar ou do rio" e assim a Place de Grève deu origem ao surgimento etimológico do vocábulo "Greve" tal como nós o conhecemos hoje e cuja primeira utilização nesse sentido remonta já ao final do século XVIII.




João José Horta Nobre
Novembro de 2012









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