sábado, 28 de abril de 2012

Como Hugo Chávez Está a Destruir a Economia Venezuelana: O Socialismo Ataca Mais Uma Vez…


Na Venezuela de Hugo Chávez há falta de tudo: leite, carne e até papel higiénico são bens constantemente em falta e quando estão disponíveis é necessário muitas vezes esperar horas em filas para os conseguir comprar.


Há alguns meses atrás, um velho amigo meu venezuelano contava-me como ele e a sua família foram obrigados literalmente a “fugir” da Venezuela de Hugo Chávez devido à instabilidade económica e social que hoje se vive naquele país. A Venezuela graças à “magnífica” governação de Hugo Chávez é hoje uma nação a enfrentar uma lenta morte económica.

As consequências da revolução socialista de Hugo Chávez estão bem à vista, a Venezuela é hoje um dos países com a mais alta taxa de crime no mundo tendo uma taxa de homicídio de 57 por cada 100.000 habitantes[1] e em termos económicos o país tem um dos piores desempenhos da América Latina. 

Quem hoje viajar até Caracas na Venezuela depara-se com longas filas de pessoas à porta de lojas para comprar bens básicos que nós aqui na Europa damos como garantidos. Logo de madrugada, dezenas de venezuelanos colocam-se durante horas em filas na esperança de comprar um simples frango ou uma garrafa de óleo alimentar antes que os stocks se esgotem.

Não há desculpas para o estado a que a economia venezuelana chegou, a Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo a nível mundial e com os preços do petróleo a subir, este dá cada vez maior lucro a quem o vende. Porém, na Venezuela de Hugo Chávez falta de tudo: leite, carne e até papel higiénico são bens constantemente em falta e quando estão disponíveis é necessário muitas vezes esperar horas em filas para os conseguir comprar.[2]

O inferno socialista em que hoje vive o povo venezuelano deu origem a uma situação humilhante em que os cidadãos de um dos países mais ricos do mundo em termos de recursos naturais, têm de se levantar antes do nascer do sol e esperar em filas durante horas a fio para comprar um simples frango congelado, uns sacos de farinha ou uma garrafa de óleo vegetal e muitas vezes nem assim conseguem obter o que pretendem.[3]

Quem julgue que são apenas os pobres que passam por este tipo de privações está redondamente enganado. Na Venezuela as rupturas de stocks em termos de bens essenciais afectam tanto os mais ricos como os mais pobres. De acordo com William Neuman, um supermercado localizado no bairro elitista La Castellana em Caracas era capaz de ter num dia frango, ovos e queijo em abundância, mas nem um único rolo de papel higiénico e pouquíssimo café. A falta de café é aliás ridícula para um país que em tempos foi um dos maiores exportadores de café a nível mundial.[4]

Num dia em que não havia leite neste supermercado, William Neuman perguntou a um dos empregados onde podia arranjar leite e a resposta não se fez demorar: “na casa de Chávez”.[5]

A Venezuela chegou ao ponto a que chegou devido às políticas económicas socialistas de Hugo Chávez. Como forma de tentar fazer com que os mais pobres pudessem ter o acesso facilitado a bens alimentares e de consumo, o governo de Hugo Chávez impôs controlos de preços muito duros na economia e não é por coincidência que os produtos com o preço tabelado são precisamente aqueles que hoje são mais difíceis de encontrar disponíveis no mercado.

Nery Reyes de 55 anos, descreve bem o sentimento generalizado que muitos venezuelanos hoje sentem quando diz que “a Venezuela é um país demasiado rico para estar nesta situação”.[6]

A revolta que muitos venezuelanos hoje sentem em relação à situação a que o seu país chegou é mais do que compreensível. A Venezuela já foi um dos países mais prósperos e economicamente vibrantes da América Latina. Tinha uma indústria manufactureira sofisticada, um sector agrícola forte e empresas dinâmicas. Porém, a forte economia que a Venezuela em tempos possuiu deu origem a um fosso entre ricos e pobres muito grande e deveras escandaloso. 

A razão para isto prende-se com o facto de durante demasiados anos os políticos venezuelanos terem optado por políticas económicas erradas e terem deixado o seu país transformar-se num paraíso para a corrupção. Foi esta situação social que conduziu Hugo Chávez ao poder com a sua retórica barata e teorias socialistas de feira. O povo venezuelano tinha mais do que razões suficientes para estar chateado, porém, ao votar em Hugo Chávez abriu o caminho a um regime económico socialista que com o tempo só vai gerar mais pobreza e miséria.

O governo de Hugo Chávez argumenta que as suas medidas económicas têm como objectivo proteger os mais pobres e culpa o sistema capitalista pelos males do povo venezuelano. O governo argumenta ainda que o tabelamento de preços é necessário para controlar a inflacção dos preços que o ano passado atingiu na Venezuela 27.6%, sendo assim uma das mais altas taxas de inflacção do mundo. O governo acusa também as empresas de provocarem as carências de bens de propósito para provocar a subida dos preços e assim justifica o controlo de preços que está a levar a cabo. Só quem não percebe absolutamente nada de economia pode acreditar numa conversa destas.[7]

Na realidade, as políticas económicas socialistas de Hugo Chávez não estão a resolver problema nenhum, mas sim a provocar um problema ainda maior. Ao tabelar os preços a níveis demasiado baixos, o governo impede as empresas e os produtores de obterem lucro com a venda dos seus produtos, isto leva obviamente a que muitos produtores deixem de produzir, pois nenhum capitalista vai produzir se não obter lucro em troca.[8] Por outras palavras, quanto mais o governo de Hugo Chávez tabelar e controlar os preços, menos os produtores vão produzir e menos vai haver disponível no mercado, consequentemente a Venezuela vai ver-se obrigada a importar cada vez mais para substituir aquilo que já não consegue produzir e assim a economia venezuelana vai decaindo de dia para dia. Isto é o Socialismo no seu melhor.

A incompetência do governo socialista de Hugo Chávez fica bem patente se constatarmos que alguns dos bens que hoje faltam no mercado venezuelano são produzidos por industrias que Hugo Chávez nacionalizou em nome do “interesse nacional”.[9] O facto é que desde que estas indústrias foram nacionalizadas, a produção caiu drasticamente e quem sofre com isto é o povo venezuelano que se vê obrigado a importar o que já não consegue produzir por culpa das políticas socialistas de Hugo Chávez.

Em Janeiro de 2012, de acordo com o Banco Central da Venezuela, a dificuldade em conseguir obter bens alimentares básicos estava ao seu pior nível desde 2008. O leite em pó, que constitui um dos pilares da alimentação venezuelana, estava esgotado em cerca de 42% dos supermercados e o leite em estado líquido ainda é mais difícil de encontrar de acordo com a Datanálisis.[10]

Ainda de acordo com a Datanálisis, outros bens básicos como carne de vaca, frango, óleo vegetal e açúcar estão em falta no mercado venezuelano. Nas lojas subsidiadas pelo Estado, que foram criadas para oferecer bens alimentares a preços mais baixos aos pobres, o problema ainda é mais grave e as rupturas de stocks são constantes.[11]

É óbvio que muitos venezuelanos necessitam de apoio do Estado para sair da pobreza em que se encontram, no entanto, o caminho escolhido pelo governo de Hugo Chávez é desastroso e vai levar inevitavelmente à implosão da economia venezuelana se estas políticas económicas socialistas continuarem por muito mais tempo. 

Não é destruindo a economia da Venezuela através de nacionalizações desastrosas e tabelamento de preços que Hugo Chávez vai ajudar o seu povo. Muito pelo contrário, Hugo Chávez está a destruir a capacidade exportadora da Venezuela criando um país petro-dependente e se não fosse o “ouro negro” para sustentar as suas fantasias socialistas, já o seu governo teria caído há muito.

Para agravar a situação, Hugo Chávez ameaça aberta e publicamente que nacionalizará qualquer empresa que não consiga manter os seus produtos no mercado, afastando assim inúmeros capitais estrangeiros da Venezuela que têm medo de investir neste país devido ao facto de o mesmo ser governado por um governo socialista liderado por um político claramente instável – Hugo Chávez.

Francisco Rodríguez, um economista da Merrill Lynch que se dedica ao estudo da economia venezuelana afirma aquilo que muitos no mundo já sabem em relação à mesma: “a médio/longo prazo isto vai ser um desastre.”[12]

O tabelamento de preços por parte do Estado levou à criação de um mercado negro na Venezuela em que os produtos que não podem ser obtidos de forma normal em supermercados, podem por sua vez ser comprados a preços elevados no mercado negro.

Para se ter noção do problema, Emílio Ortiz de 52 anos e dono de uma mercearia, afirma que só conseguiu comprar açúcar e leite em pó uma única vez ao seu fornecedor em 2011. Consegue obter óleo alimentar uma vez por mês, mas apenas cerca de metade do que ele pede. Por sua vez, devido ao tabelamento de preços, a taxa de lucro é tão pequena que ele se vê obrigado a subir o preço dos produtos não tabelados para conseguir obter uma taxa de lucro decente no fim do mês.[13]
 
Isto é o perverso ciclo vicioso gerado por políticas socialistas, tabelam-se os preços de um lado e eles disparam do outro. Chega-se a uma situação em que toda a economia de um país está estagnada e moribunda. Só quem tenha pouca inteligência ou seja pura e simplesmente ignorante em termos económicos é que não percebe o fracasso que o Socialismo constitui quando aplicado a um país.

Um exemplo que ilustra bem este problema, é a carência grave da farinha Harina Pan na Venezuela. A Harina Pan é uma das marcas de farinha mais utilizadas pelo povo Venezuelano para fazer as suas tradicionais Arepas. O facto de um supermercado ou mercearia venezuelana não ter Harina Pan é o equivalente a um supermercado nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental não ter Coca-Cola.

Um dos produtos agrícolas que a Venezuela tem obrigação de produzir em largas quantidades é o café. Até 2009 a Venezuela foi um dos maiores exportadores de café a nível mundial, porém, desde há 3 anos que o país se vê obrigado a importar café porque já não consegue produzir o suficiente para satisfazer o seu próprio mercado interno. A culpa desta situação é inteiramente da reforma agrária socialista que Hugo Chávez tem estado a levar a cabo e cujos resultados hoje estão bem à vista de todos. A agricultura venezuelana tem estado a ser gradualmente destruída pelas políticas socialistas do governo.

Os agricultores de café venezuelanos colocam eles próprios a responsabilidade pela situação inteiramente em cima do governo. O problema mais uma vez tem a ver com o tabelamento de preços, pois os preços são mantidos tão baixos que um agricultor não consegue obter lucro da sua colheita de café, assim sendo, muitos deixaram de produzir ou então deixaram de comprar adubos como forma de cortar nas despesas consequentemente levando à diminuição da qualidade e quantidade da produção de café.

O sector do café não é o único afectado, pois tem-se passado o mesmo com os agricultores que produzem milho, leite e carne de bovino.[14] O Socialismo está a desmantelar por completo a outrora poderosa agricultura venezuelana.

A Venezuela de Hugo Chávez é mais um clássico exemplo do que sucede a um país quando este opta por políticas económicas socialistas. O resultado está claramente à vista e o povo venezuelano já o começa a sentir na pele. Se a Venezuela continuar por este caminho mais alguns anos, acabará por se transformar num Estado economicamente falhado e falido. 

Mais uma vez as lições de Ludwig von Mises são actuais e aplicam-se ao caso venezuelano. Mises tinha previsto que qualquer economia socialista acabaria inevitavelmente por sofrer do “problema do cálculo económico” que consiste na incapacidade de um Estado socialista levar a cabo os cálculos económicos necessários para organizar uma economia complexa. Mises argumentou e com razão que um país sem uma economia de mercado livre nunca pode ter um sistema de preços funcional.[15]

O povo venezuelano vive hoje um pesadelo socialista auto-imposto e só quando acordar é que se vai aperceber do terrível erro que cometeu ao apoiar Hugo Chávez. Espero apenas que nessa altura já não seja demasiado tarde…


Notas:

[1] THE ECONOMIST, Shooting the Messenger, http://www.economist.com/node/21009630, data da última consulta: 30/03/2012.
[2] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[3] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[4] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[5] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[6] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[7] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[8] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[9] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[10] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[11] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[12] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[13] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[14] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[15] MISES, Ludwig von, Socialism: An Economic and Sociological Analysis, Library of Economics and Liberty, 1922,  http://www.econlib.org/library/Mises/msSApp.html, data da última consulta: 22/04/2012.

João José Horta Nobre
Abril de 2012

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